Dupla Delícia.

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Flor e seu jardim secreto.



Flor, que sempre soube traduzir em palavras o que sentia, dessa vez sentia-se perdida.
Parecia que sua própria existência a denunciava. 
Bom, era como ela se sentia. Ela achava que seu nome a representava bem, afinal, basta olhar pra uma flor que todos sabemos do que se trata. É amor, é leve, é doce, é presente!
E Flor achava que seria muita exposição falar algo além de simplesmente SER ESSE ALGO.
Eu sei, tá confuso.
Mas toda essa confusão é apenas uma confissão assinada por ela.
Explico.
Um amor nasceu no coração dela sem porquê, sem ser regado, sem ser cuidado.
Do nada, quando ela olhou pra seu jardim (interno), lá estava ele.
Eu sei, pra uma planta nascer tem que ter semente.
Bom, semente teve. Deus falou, e como sabem, a palavra que Deus diz é semente, tem poder de criação e se cai em terra fértil, logo cresce. E o coração de Flor era fértil simplesmente porque ela desejava a vontade do Criador.
Mas e o moço, destinatário do amor?
Ah o moço... Tem coração grande, mas é como aquelas casas bonitas, admiráveis, mas com cerca elétrica. E ele não desligava a cerca. Uma (ou mais vezes) ela tentou se aproximar e levou um choque.
Choque assusta! E no caso de Flor, dói também. 
Mas Flor sabia florescer mesmo no meio de pedras, e aquela semente do amor florescia junto mesmo sem o moço cuidar.

Hoje o amor, que antes era semente, virou uma planta saudável mas cada vez mais ansiava pelo destinatário. Não era amor sem propósito, sem dono. Era amor específico com nome próprio e com endereço.
Era amor gerado no espírito, era semente do Reino de Deus. Não era um filho sem pai.
Existia um DNA. Não é amor que pode ser passado pra outra pessoa. 
Era amor verdadeiro, e que cresceu nas circunstâncias mais improváveis.
Improváveis para homens cheios de planos matematicamente calculados. Para Flor, improvável era a circunstância ideal para algo verdadeiro brotar. Não foi gerado por favores, circunstâncias,  galanteios...
E agora ela estava ali, olhando pra dentro de si, vendo aquela planta do amor crescer e sem saber o que fazer com aquilo tudo.
Parece óbvio, eu sei. É só entregar o amor para o dono. Mas Flor nem sabia por onde o moço andava... E ela ficava com o jardim dentro de si todo florido, cheio de cor, mas que ninguém podia saber.  Era seu jardim secreto.


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