Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Tudo que ela queria era que ele provasse que ela estava errada.



Nina se concentrava pra não se perder entre as palavras dele.
Ela já tinha passado por isso, sabia da delícia daquela companhia mas também sabia do risco que corria. Amanhã ele poderia simplesmente acordar e virar as costas.
Algumas coisas pareciam não ter importância ou peso pra ele. Enquanto que pra ela, o abstrato era completamente palpável. Essas diferenças de significados a colocavam em dúvida.
Por mais que da outra vez não tivesse tido uma paixão desenfreada, teve exposição da parte dela. 
[Talvez você, leitor, não entenda o passado dela com ele, mas não é o passado que importa. É o presente.]

Se fosse qualquer mulher mais orgulhosa jogaria com ele. Mas Nina, coitada, não sabia jogar!
Restava tentar controlar a espontaneidade e acreditar em qualquer gesto ou frase apenas quando fosse completamente verbalizada e esclarecida. Até segunda ordem, tudo não passava de conversas gratuitas.
É, cada um age com os recursos que tem. Pra quem não sabe jogar, - no caso de Nina - o único recurso era aguardar a honestidade do sentimento, interesse ou sei lá o quê; e aguardar o tempo dizer qual era realmente a intenção daquilo tudo. 
Mas ao mesmo tempo, ela não queria que ele passasse pelo que ela passou, não queria que ele se sentisse exposto e sem uma cumplicidade oferecida.
Ele era bom moço mas, por algum motivo, ela não se sentia segura para se abrir.
Talvez porque num passado recente ela tinha se exposto, acreditado e ele...apenas agradeceu o carinho. E por mais madura que ela fosse, e por mais que aquilo tivesse passado, isso doeu.
Às vezes é complicado apagar certas informações da alma. Leva mais tempo do que apagar a marca do giz em um quadro-negro, infelizmente.
Ela ainda se lembrava da frase que ele dissera há 3 meses quando eles estavam por acaso na mesma cidade e se reencontraram: "eu só vim porque meus amigos não estão aqui. Se tivessem, pode ter certeza, que eu estaria lá com eles".
Nina nunca entendeu aquela frase solta...
Hoje, apesar do carinho e da vontade de demonstrar maior reciprocidade, ela fica apenas observando, desconfiada.
Porque Nina captava o que, às vezes, nem queria captar, enquanto o escrachado passava despercebido.
Ela o enxergava, o ouvia, mas não prendia a atenção no dito simplesmente. Ouvia os silêncios.
Estava ainda mais atenta aos detalhes, mesmo não querendo se atentar a isso.
E ela, que nunca foi desconfiada, vivia momentos como se observasse pela fresta da porta.

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