Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Poderia ter sido melhor!



Depois de anos adormecida, um homem conseguiu despertar o coração de Liz.
O nome dele era Guto.
Ele era um homem muito cativante, inteligente e seguro.
Bom, nesse momento terei que explicar melhor.
É que a segurança dele era um pouco limitada, ou melhor dizendo, condicionada. Era seguro até que achasse uma mulher que não o "idolatrasse". Sim, como era um cara cheio de virtudes, era muito acostumado a ser admirado. E Liz, ao contrário da maioria, não se deslumbrava. Sim, ela o admirava, mas gostava mais da conversa franca, transparente, HUMANA... e isso o deixou sem saber o que fazer. Ela enxergava os defeitos dele, mas isso não mudava nada pra ela. Afinal, era a "humanidade" do outro que a encantava.
Mas pra ele isso soou um pouco estranho.
Não era uma insegurança com relação a dinheiro ou status, pelo contrário, isso o agradava muito (sucesso pra ele era definido por cursos e dinheiro).
Era simples perceber o limite da segurança dele, bastava observar as mulheres com quem ele se relacionou. Geralmente, mulheres intelectualmente e emocionalmente "menores". Entenda.
Ele gostava de mulheres 'relativamente inteligentes' e até bonitinhas, mas nada que se sobressaísse a ele.
Isso pra Liz era "bobeira", ela não era nem um pouco competitiva. Talvez porque ela admire o SER e não o "ter". E quando "se é", os títulos, as competições, o "ser melhor que o outro" (outro título, ne), ...essas coisas não fazem a mínima diferença.
Ok. Dadas as devidas explicações, prossigamos com a história.
Guto despertou Liz. Algo no coração dele chamou a atenção dela.
E coração, a gente percebe nos detalhes, no subtexto, nas entrelinhas, nos bastidores... no espontâneo.
Mas despertou e foi embora. [Acontece, acontece...]
Tempos depois eles se reencontraram. Ela estava ansiosa pra saber como seria aquilo.
Liz tinha falado dele para uma colega, pois a colega precisava de informações que ele poderia dar, poderia ajudar e tal.  E nesse reencontro, entre tantas pessoas, a colega também estava.
"Que surpresa! Eles nem se conheciam! Por que ela estava lá?" _pensou ela.
Liz não soube como agir.
"Será que eles estavam se aproximando (ele e a menina)?
Melhor eu ficar na minha", pensou Liz.
E nisso, ela amarrou sua naturalidade com ele.
Como foi difícil aquela noite! Ela tinha mil coisas pra contar, dizer, mas não podia agir espontaneamente. E isso pra ela era uma tortura! Liz não sabia ser outra pessoa além dela mesma!
Ao ver toda aquela situação, uma amiga de Liz disse: "ignore-o. Deixe-o ir..."
Mas Liz não conseguia tratar ninguém com indiferença, muito menos alguém que no passado havia despertado-a.
-Ele não te prioriza. Ele não tá nem aí pra você.
-Olha, amiga, antes que você ache que é falta de amor próprio, vou tentar explicar. É muito amor próprio pra eu "me matar", matar quem eu sou, deixar de ser atenciosa e tal, só pra ele não "se achar". Eu sei, é estranho. Às vezes nem eu entendo meu nível de "nem sei o quê"... Mas tratá-lo bem é algo que faz parte de mim. Mas, sim, concordo com você, e apesar de tratá-lo bem, minha disponibilidade para ele fechou. Porque uma coisa é não permitir que os outros determinem minhas atitudes, outra coisa é ser feita de boba. E meu coração não é chão de ninguém.



Nenhum comentário:

Postar um comentário