Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

sábado, 4 de julho de 2015

Liz mudou de fase.


Liz cresceu.
Cresceu mas não endureceu, fiquem tranquilos!
Continua sensível, atenta ao abstrato, ao não revelado; apenas aprendeu a lidar com tudo isso.
-Vou-me embora.
-Pra Pasárgada?_perguntou um querido, sabendo que ela era dada a falar de poesias, esperou uma continuação do poeta.
-Não, não. Dessa vez vou mesmo. Preciso ir._ respondeu Liz.

É...ela precisava ir. Há tempos - isso, no plural - que ela precisava ir.
Seu tempo aqui já tinha se esgotado. Não tinha mais razão. Mas calma, ela só estava mudando de nação. Não vamos dramatizar tanto!
De amor, por aqui, ela não se permitia mais falar. Sabia que era lida, relida, avaliada e talvez até zombada. Não se ama como Liz, assim gratuito e sem fim. Mas assim ela aprendeu, e assim ela acreditava ser o Amor Perfeito, um amor que cobre o defeito.
Alguns, poucos, a entendiam. A maioria chamava-na de "trouxa" assim que ela se virava de costas.
Mas ela não ligava. Nunca foi errado amar, nem nunca será. Mas falo do Amor mesmo, saudável, bonito, nascido de Deus.
Amor genuíno traz coisas boas, gera coisas boas. Aquele cara que despertou isso tudo nela já havia desaparecido, mas ela ainda orava por ele, pedindo que Deus o cuidasse. Isso é amor.
Mas não vamos falar disso hoje. Agora a história é outra. Liz está indo embora!
-Pra sempre? _ele perguntou.
-Que pergunta difícil! Não sei. Estou indo apenas.
-Não volta pra mim, pra gente?
-Pra gente? Nunca teve "a gente".
-Você não pode ir e me deixar.
-Por favor, essa cena é desnecessária. Você nunca me deu terra pra criar raízes. O vento agora soprou pra outro lado.

Rafael não entendia. Mas Liz também nunca o entendeu, pois dizia amar mas nunca quis segurar na mão dela, nunca pediu a mão dela.
Ele dramatizou mas, como eu disse, Liz cresceu. Drama não a sensibilizava mais, pelo contrário, a irritava. Ela só era tocada pela verdade agora. Nenhuma lágrima solta - sem estar de mãos dadas com atitudes - mexia com ela a ponto de mudar seus planos.
Mas mais do que isso, hoje Liz entendeu que se tivesse firmado essa relação, ela não iria embora.
E ela precisava ir!
Havia um mistério pra desvendar longe daquele lugar que ela estava agora.

-Você vai morar onde? Com quem? Quando volta?
Ela não tinha aquelas respostas, e sabia que responder "não sei" soaria loucura pra ele e pra maioria.
-Vai se casar lá?
-Talvez. Não sei! E não faz diferença você saber disso!
-Claro que faz.
-Pra quê?! Você vai reagir depois de anos?! Por mais carinho que eu tenha por você, eu sei que Deus tem o melhor pra nós dois. Eu sei que ELE vai me dar alguém no qual eu não seja o "plano B", nem o "plano A", mas seja o único plano!
-Não fale assim...Você sabe que...
-Pare. Você nunca permitiu que existisse "nós", não venha me falar disso agora. O assunto aqui é outro. Estou te contando que vou embora porque somos amigos.

Rafael se calou. Não sabia o que dizer, como sempre. Parecia que algo dentro dele havia sido acionado, o botão "perdeu, playboy".
A maioria chega nesse ponto só depois que não tem mais jeito. Só acordam depois que caem da cama!
-Fique feliz por mim! Vou viver tantas coisas legais!
-Você é corajosa.
Mal sabia que Liz não tinha essa coragem toda, mas decidia ter. Decidia agir apesar do medo do novo, da incerteza...
-Não é coragem. É Fé.
Ela sabia bem a diferença das duas coisas. A fé pode nos levar a ter coragem, mas a coragem não é fé.
Ela tinha Fé em Deus, pois tinha um bom relacionamento com ELE. Liz sabia que podia confiar Nele e foi ELE quem mandou ela arrumar as malas e ir. Mas como ela diria isso? Como explicaria isso?
No seu íntimo, Liz sabia que Deus havia direcionado-a.
Sua alma queria inquietar-se, buscava lógica, sentia-se insegura, mas o espírito dela estava convicto, firme.
Deus disse "vá", e ela, CONFIANDO NO AMOR DELE, decidiu crer.
É, no final das contas, realmente pra ter Fé é preciso coragem, coragem de se relacionar com Deus.

-Como assim? _indagou Rafael.
-Coragem seria se eu estivesse indo sem ter uma palavra de Deus, sem ter uma direção Dele. Aliás, isso seria loucura! Mas como sei que ELE direcionou...estou indo firmada na Fé.
-Mas a fé é abstrata demais pra você ir assim...
-Minha Fé é Naquele que é perfeito, que nunca muda, que me ama...Eu sei em quem tenho crido._ finalizou Liz demonstrando intimidade e confiança no Pai.

Chega um ponto na vida, no Caminhar com Deus, que loucura é viver naturalmente; é o sobrenatural que nos deixa à vontade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário