Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

domingo, 28 de setembro de 2014

Premiação de um mundo caído.


Quem é ele?
Ainda tenho minhas dúvidas se existe um coração por detrás daquelas atitudes encantadoras.
Tento não julga-lo e condena-lo, mas diante da verdade não há muitos argumentos.
Minha fé teima em querer acreditar mesmo depois de tanta descoberta.
Então vem em minha mente meus amigos dizendo: "como você é ingênua! Pare de acreditar! Encare a verdade!"
E isso intensifica minha dor  porque além da dor de não reconhecer alguém, existe a dor de sentir-se idiota. E essa massacra a gente. A gente sente vergonha até do espelho!
Parecia tão doce, tão real.
Então me lembro de minha confiança cega, estupidamente cega, quando ele dizia: "vou sair com meus amigos", e eu dizia "tudo bem, amor".
E ele dizendo: "não trago qualquer pessoa aqui em casa.[...] Mãe, essa é sua norinha". E eu assistindo àquilo tudo com uma alegria por dentro, jamais imaginando que era um "faz-de-conta".
Me lembro dele indo à um casamento e me dando a justificativa mais esfarrapada do mundo por não me levar junto, e eu, por fome de acreditar, engolia em seco, desejando que ele não estivesse me enganando. Ahhh que tolice! Como fui idiota. E ainda me ligava de lá contando tudo e demonstrando preocupação...Como se ele se preocupasse com algo mais do que o próprio umbigo!
A parte mais dolorida foi eu viajar quilômetros para fazer uma surpresa de aniversário, não pra impressioná-lo, simplesmente porque o amava. E ele surpreso dizendo: "uau, não estou acostumado com isso. Geralmente quem faz as surpresas sou eu..."
É, e no final das contas foi ele mesmo quem fez a surpresa. Uma surpresa desagradável e bem atrasada, mas foi surpresa.
Era amor, eu juro! Da minha parte sempre foi. E era amor involuntário. Como sei? Me lembro da avó de uma amiga dizendo: "se ele ficasse inválido, você cuidaria dele e o amaria pelo resto de sua vida, mesmo sabendo que é tão jovem e tem uma vida toda pela frente?". E eu sempre respondi dentro de mim: "SIM, SIM E SIM", sem hesitar. Ele me bastava. Porque amor é assim, quando a gente ama não há olhos ou espaço para outro. Se há brechas, não é amor-amor-amor...
Claro, jamais desejei ou desejaria que isso acontecesse. Deus me livre! Mas eu o amaria por cada segundo, em cada centímetro do corpo dele...
E me lembrando disso me sinto a mais idiota de todos os tempos! A dor da própria idiotice é insuportável e parece que nunca passa. Ela sempre volta pra te visitar, pra te lembrar o quanto você é ...nem sei o que dizer.

Mesmo depois de anos, parecia existir um sentimento entre nós.
Vira e mexe uma declaração escapava. Uma música enviada, uma mensagem... Até a respiração controlada pra não expor-se...
Parecia verdade aquele teatro de "fingir que escapou", mas era só pra dar naturalidade à encenação.
Quando estávamos juntos era absurdamente real. Ele parecia me amar entre uma razão e outra.
E quando,  depois de anos, dormimos durante toda a noite com os lábios se encostando...foi um amor tão natural, ninguém pediu por aquilo, aconteceu.

Fico me perguntando: era um homem de verdade dizendo mentiras e me propondo elas como algo tão normal ? Ou era um homem de mentira realmente apaixonado?
De qualquer forma, a mentira está no meio impossibilitando qualquer crença por mais desejo em acreditar que eu tenha!
E eu, eu não sei lidar com mentiras. Nunca soube. Ela me agride de tal forma... É como se, além de todo o mal que causa, me chamasse de BURRA. Não consigo entender a fusão da mentira com a verdade como uma coisa real. Algo que tem mentira não dá pra dizer que é de verdade.
E a sensação de ser a ganhadora do prêmio IDIOTA DOS ANOS me invade e me maltrata.
Há prêmios desnecessários. Até porque eu nunca quis concorrer em qualquer categoria.




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