Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Quebra-cabeça.


Mesma galáxia. Dois mundos tão semelhantes que, de longe, poderíamos dizer que eram iguais ou até o mesmo,  se não fossem os centímetros que os separavam.
Mas quando olhados mais de perto percebíamos singelas diferenças que os faziam únicos e complementares.
Um não era completamente redondo, havia umas quinas onde podiam ser escondidas algumas questões, emoções. De lá era Juan. Nascido e criado em um belo mundo mas que com a influência de alguns acontecimentos, às vezes, esquecia de sua origem.

O outro mundo era meio sem formas exatas, parecia ter sido desenhado de forma livre, sabe?! Esse era o mundo de Liz. Também nascida e criada nesse mundo e que sempre lutava para tentar não se contaminar com as racionalidades absurdas ou ceticismo do mundo que vivia atualmente.

Esses mundos descritos acima são os mundos internos de ambos, mas o externo era sim o mesmo. O mesmo, inclusive, do seu (leitor).

Certo dia Juan a viu numa foto da cidade. Liz era artista. E durante um ano planejou na sua cabeça como faria para encontrá-la. Deus com toda sua sutileza providenciou o encontro.
Esbarraram-se e no primeiro encontro já se viram. Entende?! Eles se ACHARAM um no outro.
Parecia surreal. Perceberam que o mundo deles se encaixava com perfeição.
Explico. É como um quebra-cabeça, há UMA PEÇA que se encaixa perfeitamente, e um era a peça do outro.
Juan era tão entregue, tão doce, tão...Por um tempo ele agiu com o coração.
Quando estavam juntos, o resto do mundo era secundário. Tudo ele queria dividir com Liz, até o guardanapo na hora do jantar. Ele não queria dar um só pra ela, queria ser parte dela, e mostrava isso com detalhes.
Cada surpresa que ele fazia nascia instintivamente, era o coração falando. A flor colhida na rua, a ligação no meio da estrada quando estava voltando pra casa só pra dizer que tinha visto um bar com um dos nomes que ela o chamava. A música feita por ele, mas que nunca foi mostrada (não deu tempo).
Não deu tempo porque ele temeu e correu. Ela era bonita, e querida pelas pessoas e tinha uma profissão que dava visibilidade. Mas isso nunca a alterou, nunca mudou seu caráter e ela nunca pensou que ser querida seria motivo de insegurança.
Com lágrimas nos olhos e coração sangrando ele foi embora.
"Você é a mulher da minha vida. A gente ainda vai ficar junto...talvez lá na frente"_disse ele tirando de si a responsabilidade e colocando a vida nas mãos do destino. (como se o destino pudesse ter essa responsabilidade...)

Liz que já tinha o assumido pra si ficou sem reação. Não conseguia pedi-lo pra ficar. Ela sabia que no quebra-cabeça da vida só há uma peça de encaixe perfeito e não tinha ideia de como faria pra viver sem ele. Não que ela não fosse inteira, mas era ele quem a deixava na forma como deveria.
Pela primeira e única vez Liz AMOU alguém. Logo ela que nunca foi dada a se entregar tão facilmente, que sempre se trancou...hoje se via trancada novamente, mas dessa vez com um amor vivo por dentro.

Liz, cheia de sonhos.
Juan, cheio de metas.
Para os sonhos inventamos caminhos, caso pareça mais complicado chegar lá.
Para as metas arranjamos desculpas para os sonhos que atrapalham a chegada até lá.
Entende a diferença? Liz achou a solução para permanecerem como deveriam...juntos.
Juan, apesar de sonhar também, as metas eram mais importantes, e ele achou uma desculpa para o medo bobo que ele teve, achando que um amor atrapalharia sua meta. Coisa de gente que foi contaminada pela inversão de valores.

Juan, como boa parte das pessoas, não consegue ficar sozinho, e logo tratou de arranjar outra companheira. Companheira e não amor, porque amor a gente não inventa, a gente encontra.
Encontrou alguém que se encaixava em seus pré-requisitos, tudo muito bem planejado (como ele é).

Alguém contou pra Liz que ele já estava com outra pessoa.
Vc já passou pela sensação de NÃO CONHECER alguém que vc jurava que conhecia?
Como isso é ruim, ne?! A gente não sabe se a pessoa que mudou demais (pra pior), se ela nunca foi quem realmente era....ou se vc enxergava virtude onde não existia.
Aí vc volta a fita, tenta rever tudo em câmera lenta, pra não perder nenhum detalhe...Mas mesmo assim não entende.
Vc perdeu alguma parte em algum momento, certeza! Ouuu ele se perdeu de si e virou um cara como os outros...Será? Mil hipóteses passam pela sua cabeça...

Mas Liz sabia que não tinha se enganado.
Sim, ele fazia surpresas pra a outra, agradava-a...Claro, isso faz parte dele.
Quem é criativo só precisa de um pretexto para se expressar. Quem gosta de fazer surpresas faz mesmo não sendo por puramente amor. Faz porque é sua essência, faz por si, porque gosta de agradar o outro, porque quer marcar a vida do outro, porque quer imprimir o que passa no coração de artista, porque quer romantismo mesmo que não tenha o amor.
Surpresas feitas por criatividade são diferentes das feitas por amor.
Por amor, um "rasgar de guardanapo" vira uma surpresa, e algo feito genuinamente.
Por criatividade, pensa-se, cria-se, articula-se...

Mas mesmo que Liz não tivesse se enganado, mesmo que ela soubesse que não foi mentira o que viveram e o que sentem... a realidade era cruel, e ele estava forçando uma outra peça para encaixar o seu quebra-cabeça. Claro, com jeitinho e tempo algumas peças se encaixam, mas NUNCA serão PERFEITAMENTE encaixadas. Podemos colocar duas peças juntas mas só a que tem o amor tem o encaixe perfeito.

A maioria pode estar pensando que isso é história, que não existe isso, mas eu ouso te desafiar e te contrariar. SIM, existe e não é só quando somos adolescentes.
Aquele amor incrível existe para todas as idades. Só precisamos acreditar e não preencher o espaço com o que não é.
E quando o encontrar, quando o coração bater mais forte, quando você se sentir meio bobo...pare de bobeira e se jogue, vá atrás, volte atrás. Só temos UMA vida e não vale desperdiçarmos com pessoas incríveis mas que não nos balancem.





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