Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Comece pelo Amor.


Ric e Thiago eram muito amigos desde a adolescência. Cresceram e mantinham a amizade. Ric foi padrinho de casamento de Thiago, dia tão especial para Thiago e dramático para Ric. Dramático pois foi nesse dia que o medo da intimidade compromissada o assombrou e ele não se sentia preparado para o casamento. Ninguém o cobrava. Talvez o amor. O amor o cobrava uma entrega, uma renúncia, o cobrava plenitude.
O amor que ele sentia o impulsionava ao tão temido casamento, mas ele...fugiu. Do casamento e do amor.
Não teria problema algum se fosse apenas do casamento. Mas do amor?!
Depois de alguns anos se encontraram com um pouco mais de tempo. Porque nesse tempo eles se viam, mas ficavam na superfície das conversas.
Thiago, mais corajoso em se expor, em demonstrar o que se passa deu logo um abraço em Ric e olhando-o firmemente perguntou: -Oi, cara! Como você está?
Parece uma pergunta simples, mas acompanhada do olhar cuidadoso de seu amigo, ecoou dentro de Ric.
-Bem, estou muito bem. Você sabe, o trabalho vai bem; já namoro há algum tempo.
-Poupe-me das formalidades e conveniências, amigo. Quero saber da sua vida. Como foram seus últimos anos?
-Ah, tanta coisa aconteceu. Nem sei por onde começar.
-Comece pelo mais importante: pelo AMOR.
Houve uma pausa na conversa e na respiração de Ric. Isso era algo que ele evitava pensar.
-O amor?!
-É, cara. Falei algo errado?!
-Não, só é estranho falar disso assim...
-Como e com quem tem que ser falado?Somos amigos e amigos não se divertem apenas! Amigos se abrem.
Outra pausa. Ric não falava sobre ela, ou melhor, sobre o amor. Mas já que seu amigo se mostrava tão atencioso começou a falar.
No início foi difícil achar as palavras. Depois foi complicado achar o tempo para puxar fôlego entre uma frase e outra. Tudo de uma vez era mais fácil. Se não ele pensaria, justificaria pra si, maquiaria os sentimentos...
-Bom, desde Lia o amor sumiu. Sim, estou num ótimo relacionamento e estou muito bem, muito bem mesmo...feliz! Mas Lia... ela é tudo que sonhei. A gente viveu coisas tão lindas, tão doces, tão intensas...Temos o mesmo mundo, ela me mostrava isso! Foi tudo real, muito real! Eu sei, foram poucos dias juntos, mas dias que viraram eternidade dentro de mim e dela. Porque eu sei, eu sei que ela ainda me ama. Poucos dias juntos fisicamente, mas completamente envolvidos mesmo de longe.
Eu sempre me lembro dela... Penso nas coisas que eu queria ter dito, mas nunca tive coragem de dizer. Tive muita coragem de dizer para ela se afastar, e coisas do tipo, mesmo me doendo. Não sei o que aconteceu...Parecia que eu não merecia todo aquele amor. Ao mesmo tempo parecia um sonho realizado, e eu tinha medo que esse sonho acabasse...decidi acabar antes..
Eu sei...isso parece algo babaca. Mas era involuntário...Enfim, você me perguntou do amor. Não sei onde ele anda, ou melhor, ela. O amor e ela andam juntos, parecem inseparáveis... Eu a tratei muito mal, mas precisei agir assim para a gente se afastar. Se adiantou?! Não e sim. Não deixo de pensar nela. Mas com o contato cortado é mais fácil de fingir que nada aconteceu.[...] Eu tô bem, sabe, cara. Tô muito bem.

-Então pra quê está se autoafirmando isso o tempo inteiro?! Dizendo que você está bem...Se você está bem, vou ver isso, não precisa me dizer. Sei que você está bem, porque você fica bem em qualquer situação...mas você encontrou aquela que te inspirava, aquela que te fazia desacelerar (aliás, talvez isso tenha te assustado, ela te fazia pensar numa outra dimensão, pensar de um jeito diferente desse seu). Eu sei que você tem bom gosto para escolher mulheres. Mas Lia te rejuvenescia, você parecia criança (no bom sentido da palavra)... Agora?! Agora parece que envelheceu. Não estou dizendo AMADURECEU. Afinal, amadurecer é preciso. Você se afastou de quem você é, até a gente se afastou.... Talvez porque eu te lembre de sua essência, e sua essência lembre dela...

-Hum...Mas passou. O tempo passou. Minha história e dela passou.

-Se é amor...reescreva. Não acredite nas bobagens que dizem. Nem se case porque todos da turma já se casaram. Cara, eu me lembro de algo que você me contou e eu achei incrível: sempre que se viam, vocês nunca falavam "deixe eu te dar o último beijo de boa noite" ou coisas assim, era sempre o PENÚLTIMO, porque não existia último dia, último beijo... Então, faça isso ser mais real, faça essas palavras valerem à pena, mostre pra ela que você não estava mentindo._ finalizou Thiago, despertando-o para uma vida plena e de VERDADE.


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