Dupla Delícia.

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domingo, 26 de janeiro de 2014

Tronco de sobrevivência deve ser temporário.


Às vezes para  não nos afogarmos nos apegamos a primeira coisa que aparece, um tronco de madeira vira sonho e por muito tempo podemos viver assim, agarrados ao pseudo-sonho, viver uma pseudo-vida.
"-Eu não gostava dela, não era apaixonado, mas aos poucos foi me conquistando. Ela me deu força para continuar a vida sem você."_ Clara ouviu de João, seu grande amor.
Ela achava tudo isso muito estranho, absurdo, até que foi preciso que ela se agarrasse à um tronco de madeira também para sobreviver e não se afogar em meio as lágrimas que não paravam de cair mesmo muito tempo depois.
A falta doía tanto... E ela conheceu Ric, um cara doce, que em muita coisa lembrava seu grande amor. E ele conseguia trazer Clara até a superfície e fazê-la respirar. Ela sabia que não era amor, mas só de pensar em deixá-lo, já batia um desespero, porque nesse meio tempo (de pensar apenas) seu grande amor vinha à sua memória com uma força incrível e provava que, na verdade, ela não o esqueceu.
Aí, alguém pode dizer: "Mas não é preciso tudo isso para perceber que o amor ainda existe...".
E concordo. Não é mesmo. Mas quando a gente se apega a algo, a gente evita olhar para os lados, e corta qualquer contato com o amor verdadeiro. A gente camufla a vida (como se fosse possível!).
Quando você precisa cortar contato, pode saber, o sentimento é real e ainda existe.
Não desmerecendo o tronco de árvore que nos fez sobreviver, mas não dá pra viver assim para sempre. Mas eu sei que também não é tão fácil soltá-lo e aprender a nadar até a canoa (que é muito melhor, mais confortável, mais natural). Cria-se vínculos, aquele tronco de árvore foi necessário, salvou você, aliás, você poderia viver com ele para sempre mesmo não sendo amor, e sim uma relação de dependência e sobrevivência.
Mas pense bem, ao mesmo tempo não permitiu que você se enfrentasse, crescesse. Perceba-se. Perceba que há uma canoa te esperando com seu amor dentro.

E as perguntas continuam... Se ambos se amam, por que não ficam juntos?! Tinham uma relação infernal? Não, muito pelo contrário. João teria que largar o tronco, e aprender a nadar sozinho, mas justificando todo seu medo ele dizia que o tronco também tinha se apegado e ele não podia deixá-lo assim. Medos sempre se justificam, é preciso um olhar mais profundo e corajoso para enxergá-lo cru, sem disfarces.
Mas, no fundo (aliás, não tão fundo assim),  Clara sabia que uma hora ele teria que nadar, ele era forte, inteligente...Uma hora ele iria se enfrentar!
E ela,...ela também sofria ao ter que largar Ric (que foi tão querido e salvador), mas de "step" ela não sabia viver, e sabia que para alcançar níveis mais profundos ela teria que nadar  mesmo com medo, porque muitas vezes a gente não alcança o chão, a gente não vê nada palpável, mas ela também sabia que o amor nos sustenta em qualquer situação.
Tronco de sobrevivência deve ser temporário. Deus nos manda para nos socorrer, mas é o socorro de hoje. E não para nos sustentar por uma vida inteira. Só o amor tem essa capacidade de nos sustentar na plenitude.


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