Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

domingo, 3 de novembro de 2013

"Conto" moderno.


Cidade grande, ampla, distante. Fria, calculada, esquematizada.
Pessoas planejadas se encaixavam perfeitamente naquele pedaço de terra. Alma? Parecia coisa de outro mundo! Coração?! Até tinham, mas estava muito bem submetido a estratégias para alcançar as metas da vida.
Não, não estou falando de um mundo distante. Muito menos de robôs. São humanos (ou deveriam ser) que deixaram em segundo plano a natureza divina doada a nós, essa coisa que faz nosso coração ouvir a voz de Deus, e que faz nosso coração falar...
Nessa cidade vivia Julia, mulher inteligente, astuta, competitiva. Coisa de gente que é muito batalhadora mas que, infelizmente, acabou entrando nas regras do mundo. Capaz de tudo para ficar com um homem...
E homens, nós sabemos, são quase todos levados pelo vento que faz mais força. Caem em qualquer drama e acreditam cegamente no que elas "aparentam ser". E quando conseguem enxergar a verdade já estão muito bem embaraçados com a fantasia criada e fogem de qualquer incômodo para evitar passar por conflitos emocionais, mesmo que esses conflitos sejam necessários para uma libertação, crescimento ou qualquer coisa assim.
Nesse mesmo ambiente vivia Frederico. Logo logo você o chamará de Fred, é natural, pois ele é daquelas pessoas que a gente se apaixona logo de cara e deseja uma intimidade. É daqueles em que nos identificamos facilmente pois ele enxerga pessoas, embora muitas vezes finja não ver. Talvez uma reação de defesa.
Apesar de morar ali, Fred escondia dentro de si aquela natureza divina que me referi no início da história. E no caso dele, era ainda mais divina, principalmente para Sofia (que logo vocês serão apresentados)! Mas Fred havia sido feito sob medida pra ela, sabe?! Sabe quando você manda fazer uma roupa?! Então, é feita pra o seu corpo, é exclusivo seu. Outras pessoas podem até usar, experimentar, comprar...mas nunca terá o caimento tão perfeito como pra você (que foi o molde). Entende?! Assim era Fred e Sofia.
Mas como falei, há um tempo Fred escondia essa "divindade" toda....
Por que eu falo que ele escondia?! Bom, certa vez Fred se apaixonou ardentemente por uma garota. SOfia era o nome dela. Ela despertou ele, como aquele conto de "A Bela Adormecida", só que no caso foi O BELO. O beijo do amor verdadeiro desperta.
Mas quando esse tipo de amor desperta, assusta! Perdemos o controle da situação! E nossos planos, nossas metas, e nosso planejamento de "casar só daqui uns anos" ou até de "não casar"?! Esse tipo de amor bagunça a gente, e às vezes é mais fácil fugir da história e se envolver com a moça do castelo do que trazer a Bela Adormecida pro Reino.
Eu sei, é muito conto de fadas para uma história tão moderna. Mas os contos de fadas são muito mais reais do que imaginamos. Só que eles deixam as coisas mais bonitas, menos covardes.

E não, não estou dizendo que Julia seja a vilã ou Sofia a mocinha. Dentro de cada história podemos ser as duas coisas. Nesse caso, onde há amor genuíno, a gente acaba torcendo! É nosso lado divino gritando...Sim, o divino sempre está presente, nós é que muitas vezes estamos frios e indiferentes.
Julia tinha algo em comum com o Frederico atual: moravam na mesma cidade feita por planos e metas, assim, ela sabia exatamente como agir para envolvê-lo. Ela sabia o jogo da vida.
Sofia, coitada, não tinha ideia nem de quando era dado o apito de início de jogo, quanto mais das regras!
Ele, perdido com o sentimento; ela, perdida com o jogo. Cada um imaturo numa área, e ambos sem muita disposição para lutar, pagar um preço. Talvez por se parecerem por dentro e terem o coração gigante tinham um certo receio de se ferirem. Claro, tudo involuntário, inconsciente.
Sofia, por impaciência de ser trouxa mais uma vez, foi para o outro extremo e quis exigir maturidade de Fred numa área em que ele não poderia dar. E acabou sendo imatura também, e só porque tinha certeza de todo o amor existente, se entregou sem jogar.
Ele, acostumado com o jogo, e desestruturado pelo sentimento ficou sem entender tudo aquilo e 'jogou a toalha'.
Eu sei, parece a história de amor mais rápida do mundo! Uma história que durou, teoricamente, um parágrafo.
Mas vamos olhar um pouco além.
Esse romance não começou quando eles se beijaram. Nãooo! Começou bem antes. Começou quando eles se sonharam, quando eles se imaginavam...quando ele sonhava com uma mulher feito Sofia pra ter ao lado pra sempre; e quando Sofia o desenhou com cada detalhe.
E esse romance teve vida 'palpável' quando eles se deram "Oi" pela primeira vez. Aquela foi a primeira vez que um "oi" fez tanto sentido, e que um "tchau" doía tanto.
MAS num mundo moderno e ensimesmado a lógica anda do avesso, e mesmo se amando, se deixaram ir.
Na verdade, o amor não era tão consciente assim. Todos os dias Fred dizia pra si que aquilo havia sido uma paixão momentânea de menino e que agora ele era um homem maduro e precisava de toda racionalidade numa relação. Ele optou por Julia, que aliás também o fazia muito bem, apesar de não aflorar toda doçura e  grandeza dele. Mas e daí?! Ele não se percebia.
Mas o amor, vocês sabem (ou ainda vão saber!), não dá pra trancá-lo. Uma hora ou outra ele sempre aparece. E em vários momentos Fred ainda pensava em Sofia, ele ainda a carregava no coração. E no coração ninguém enxerga, ninguém pode julgar, ninguém sabe quem carregamos...Até porque, muitas vezes, até nós escondemos de nós mesmos. Afinal, se assumirmos que enxergamos teríamos que, por honra, mudar a vida completamente se necessário.
E Sofia não ficava atrás. Ela também estava com alguém que fazia muito bem pra ela. MAS, ela era mais honesta com o próprio coração e assumiu pra si que amava Fred. E ela descobriu que o amava do nada! Como? Todas as noites antes de dormir, ela fechava os olhos e, sem querer, o via, e como de praxe dizia em voz baixinha: "Boa noite, meu amor. Durma com Deus. Te amo."
E ela fazia isso e nem percebia, pois era tão natural.
Certo dia, ela estava deitada ao lado de seu atual namorado, quando ela fez toda essa rotina antes de dormir. Sofia se deu conta de que ela realmente amava Fred. Apesar de tudo, de toda força que ele fez para que ela não o amasse, apesar de toda força que ela fez para acreditar que foi tudo "enganação"...ela o amava! E a essa altura nem sua cabeça a deixava mentir.
E esse romance que começou nos sonhos acordados de ambos ainda continuava nos sonhos noturnos.
E eles se amavam para sempre até onde suas coragens permitiam. Até quando seria só nos sonhos?!
Só o tempo podia dizer e e só eles podiam mudar isso.

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