Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Era tarde.

Era tarde. Há muito tempo esperava. Um sim. Era isso que esperava. 
Mas sabia que a realidade não era essa. Então buscou o "não" e o encontrou. Depois de tanto tempo ela achava que seria fácil ouvi-lo e dizê-lo. Não. Não era apenas um negação, era um adeus. 
Mas era tarde, tarde demais pra negar e matar um sentimento que já tinha adquirido vida própria. Um casinho, que virou um caso a ser estudado. Porque ele não merecia toda essa atenção do coração. Não porque o cara era ruim, mas porque simplesmente não quis dar chance para amá-la. E seria fácil amá-la. Pelo menos é o que diziam. Mas ele encontrou uma outra mulher e fez sua escolha. Escolha que deixou Maria sem chão. 
Já era tarde da noite e ela o esperava para colocarem o ponto final. Ela estava calma, segura, pronta. Ele estava como sempre esteve, seguro, indiferente a qualquer coisa, tanto fazia um sim como um não, nada o abalava. 
Ele disse um tanto de coisas que não eram coerentes com a pessoa íntegra que parecia ser. "Nunca gostei de você. Talvez eu só queria te conquistar porque eu ficava te observando...". E falou isso como quem fala "me passe a manteiga". Com uma naturalidade descabida nesse tipo de declaração. Porque quando se trata de coração devemos ter mais cuidado. 
 Mas era mentira, ela estava anestesiada e não calma, incrédula com o que estava acontecendo e não segura, desfeita e não pronta. Era tudo disfarce pra parecer madura o suficiente para ouvir um adeus e não chorar. Como se chorar fosse coisa de criança! Ela sabia que não era coisa de criança, mas e ele sabia? Talvez ela não tenha virado adulta, era apenas uma ex-criança. E ex-crianças crescem sim, amadurecem, mas são entregues, ingênuas. Não abandonam a criança, apenas acrescentam um "ex" na frente. 
Despediram-se e mesmo depois, sozinha, Maria não derramou uma lágrima sequer. As palavras dele fizeram-na secar. E assim ela ficou durante alguns meses. Seca. 
Maria viajou. Foi pedida em casamento por um cara do passado, um cara que ela mal tinha conhecido. Ele se declarou, falou que tinha medo de amá-la pois sabia que isso era fácil e ela não morava na mesma cidade que ele, mas que era a mulher que ele queria e que esperava muito que ela aceitasse... 
Enfim, Maria sequer o havia beijado dessa vez, eram apenas amigos. Ela estava determinada a dar chance para o coração dela, mas isso era com outra pessoa, com um cara que ela já estava se envolvendo. (Engana-se quem pensa que receber pedido de casamento é lindooo! Tá, pode até ser mas se for feito por alguém que você não ama é angustiante, dá vontade de correr, sumir... Principalmente quando a pessoa não merece um não mas o coração não entendeu. Não cedeu, não mexeu, não percebeu).  
Hoje já é tarde. Maria olha pro passado com uma certa aflição pois parece que tudo não passava de sua imaginação. Apesar de que hoje ela consegue olhar para o passado e vê-lo lá longeee, sem a mínima vontade de trazê-lo de volta. Isso já é ótimo! 
Mas Maria não consegue olhar para o futuro, está tudo embaçado. Ela não consegue fazer crescer sentimentos, ela AINDA está seca de esperança e crença nas pessoas. Mas isso é uma questão de tempo dela, e determinação e paciência de quem a amar. 
Ela sabe, é cedo, muito cedo pra desistir do amor ou dizer qualquer coisa.

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