Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Viajo porque preciso.


Às vezes a gente precisa visitar o passado pra dar início ao futuro. Pra ter certeza que o presente não é uma fuga do ontem ou do anteontem que te fez tão bem e tão mal ao mesmo tempo.
É preciso viajar. Viajar no tempo, mudar de lugar, ir ao encontro do que era tão grande e encará-lo no hoje.
Porque nessa visita a gente SE percebe, percebe as reações do coração. Se o coração tem carinho de forma controlável, se ele não quer sair pela boca e se você não fica apreensivo com o tal encontro...é porque o amor parou ali junto com a vivência. É porque o amor virou apenas aquele retrato preto e branco que a gente guarda no fundo da caixa.Tem carinho, reconhece que foi bom, guarda mas não quer mais voltar lá. Foi um capítulo importante, SIM, mas...que passou.
E nesse encontro a gente vê a pessoa sem os olhos da paixão, sem todo aquele querer e imaginação. Parece tão diferente! Mas não é. O que mudou foi nossa forma de ver. Agora tem clareza,... tudo tão óbvio.

E é preciso tudo isso, toda essa viagem (literalmente também) porque o presente tem que estar livre pra fluir!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ele.

Ainda tinha resquícios do passado. Vez ou outra Clara AINDA pensava no que tinha acontecido, o que tinha sido aquilo que ela havia vivido.
Mas ela não recordava da mesma forma, agora parecia irreal e tão distante... Ainda mais agora que ela tinha companhia constante, um companheiro brilhante! Um cara que todos os dias fazia Clara sentir-se amada, especial. Se ela era ou não é outra história! Mas que ele fazia ela sentir-se assim...isso fazia!
Ele a chamava de "minha mulher". Clara gostava, achava possessivo o termo, mas gostava. Na cabeça dela, quando ele dizia isso parecia que ele tinha orgulho em tê-la ao lado. Ele queria exibi-la, mas ela não sentia-se um troféu, sentia-se apenas parte dele. Era estranho.
Ele a incentivava no trabalho, por incrível que pareça, apesar de machista (um BOM machista), ele parecia entendê-la, entender sua necessidade de arte.
Ele queria estar ao lado dela de uma forma que, talvez, ela nunca tinha vivido.
E ele era tão entregue, da forma que ela sempre esperou. Dizia quase tudo o que pensava, enquanto ela engolia cada "MAS, PORÉM...". Ela se calava, não tinha o que falar, não sabia o que estava acontecendo. E quando não sabemos o que se passa dentro é melhor não deduzir, não REDUZIR, não seduzir. É melhor aguardar do que inventar. Dar nome ao que nem a gente sabe é um tanto insano.
Ele esperava uma resposta qualquer dela, esperava uma reação, mas ela se escondia ou embaralhava tudo cada vez que ele queria concluir uma ideia, um pensamento. Não por maldade, ela fazia isso por hábito, por precisar do tempo até que tudo ficasse nítido.

Clara só sabia de uma coisa : a melhor parte de ter alguém gostando de vc, é que vc é responsável por fazê-lo sorrir. E como é bom fazer alguém rir!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quando um momento ganha reticência.


Palavras bonitas. Como Ana já havia ouvido palavras bonitas!
Promessas, confissões, declarações.
Ela já tinha ouvido muita coisa que se soubessem a invejariam.
Pedidos de casamentos negados. Pedidos que não souberam esperar a hora certa da resposta.
Sim, ela os negou. Absurdo? Não. Absurdo seria aceitar um pedido de eternidade sem pensar, pesar, ...na verdade, sem coração.

Quanto ela já foi agraciada com atitudes encantadoras!
Um cuidado com cada detalhe de seu dia.
Um café-da-manhã pronto.
Uma flor no meio do caminho.
Tudo tão passageiro que não merecia ser citado. Mas Ana citava. Ela gostava de engrandecer as coisas boas e apagar as ruins.

O problema é que cada palavra bonita acompanhada de cuidado, cada promessa acompanhada de uma noite de amor, cada flor que se declarava não passava de fantasia, mágica. Porque quando a realidade era colocada à prova, as palavras bonitas viravam pó, as promessas se tornavam brincadeiras, as confissões....mentiras.
As atitudes encantadoras quando são soltas não passam de galanteios, vaidade...E a vaidade é vã.

Então, Ana se deparou com o 'de repente' (sempre presente em sua vida).
E de repente, sua companhia constante virou companheiro.
Um companheiro inesperado mas que fazia todo o combinado. Palavras, atitudes, espera....tempo.
Ele sabia lutar, sabia o que queria, e queria o melhor..."o seu melhor".
E cada questão que Ana levantava, ele solucionava. Cada muro que ela erguia, ele pulava.
E mesmo que inesperado, uma coisa era certa: ele estava ao seu lado e desejava aquele momento com reticências.





Meu caminho.


Eu tento me apegar às regras, mas as regras não me pegam, não.
Até observo conceitos, mas logo vejo que com o tempo eles se vão.
Claro, tenho lógica! Quem não tem? Mas não a sua lógica ou a de um filósofo famoso, nem de cientista meticuloso.
Não sou de pegar coisas prontas, tenho a minha lógica! E acredite, a minha lógica aceita quase todas as outras. Porque pra ter razão não precisa fazer sentido, tem que ter motivo, canção...tem que pulsar.
Lógica não tem nada a ver com matemática, é estrada, é caminho. E caminho, cada um faz o seu.
Tem gente que segue os caminhos largos, prontos, enfeitados, cheios de referências, "honras"... Eu não.
Acho mais graça fazer o MEU caminho. Pode até não ser muito compreendido ou admirado por quem gosta da obra concluída,  afinal tenho que desbravar um lugar "fechado", correr certos riscos, mesmo já tendo estradas prontas.
Mas eu gosto é do processo,  da descoberta. É mais gostoso, mais curioso, tudo é novo, cada instante é um "de repente". E eu? Eu gosto do "de repente".

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Lógica.


Eu que nunca tive lógica, nunca soube usá-la decidi desejá-la. A lógica.
Não é nada fácil meu casamento com ela. Não a conheço. Não sei nem por onde começar.
Me angustia ter que viver ao lado dela mesmo sabendo que viver com lógica não tem lógica nenhuma. 
É necessário o equilíbrio. Eu sei.
Mas eu sempre ensinei todo mundo que eu podia ensinar a arriscar, a criar uma nova lógica, a lógica do amor. E a lógica do amor é ilógica, é contrária, é ousada...é VIDA.

E quando decido ser um pouco mais "esperta", mais atenta ao que dizem, ao que sentem...Ele aprende o que eu sempre quis ensinar, e ele ousa (sem ver)se entregar, sair do morno da lógica.
Nunca imaginei! Ele?! Nãoo, vocês não sabem o quanto há razão, conhecimento, fugas ali dentro! De repente ele despertou.
O despertar dele me apertou. Me desesperou. Porque agora vivo meu momento de aprendizado na razão.
Mas ele me quebra cada vez que me diz coisas que constrangem (me constrangem por serem coisas belas e boas que nunca esperei dele). Uma declaração atrás da outra. Seja com palavras, com olhares...
Mas eu preciso aprender a graça da lógica, então me prendo a cada detalhe pra dizer não. Uma crença desigual (o que torna nossas prioridades díspares), a ausência de uma gentileza essencial pra mim, ...
Investigo, instigo.
E me vejo vivendo aquilo que sempre critiquei, que sempre lutei contra: a guerra da Lógica X "a entrega".
Ele me faz ver que meu passado nunca existiu. Foi mentira. Foram invenções de meu mundo imaginário.
As pessoas que passaram não foram tão legais assim como eu insisto em dizer e acreditar. Ele, gostando de mim dentro de toda lógica e com práticas condizentes, me faz encarar a realidade do passado inventado que  eu tive.
Confesso, não é a melhor coisa do mundo ter que enxergar as coisas do ponto de vista lógico, sem justificativas, sem maiores explicações para cada mau comportamento. Mas depois deve fazer bem.
Deve fazer.
Depois.

domingo, 18 de novembro de 2012

No meio.

Ninguém sabe como é angustiante estar no meio do caminho. Até que se esteja.
Principalmente quando ao olhar pra trás não se vê nada palpável, e olhando pra frente não se enxerga nada.
O medo do próximo passo existe, não posso negar.
Aí você pode dizer: "mas é necessário".
SIM, eu sei disso. Mas a questão é : ESSA É A HORA CERTA?
E se eu der o passo agora e mais uma vez for precipitada? E se eu demorar e perder a hora?

Estar no meio do caminho com tantas perguntas na cabeça e ao mesmo tempo ter alguém do seu lado que depende de suas respostas é pior ainda!
Olho pra trás e nada, pra frente e nada....pro lado e lá está ele esperando um sim, um não, qualquer coisa lógica! Mas a lógica anda sumida da minha vida, assim como a intuição.
E cada semana se torna um desafio. Um desafio pra encontrar respostas.
E às vezes esse desafio todo, essas perguntas dentro de mim, esse olhar (além do meu!) esperando por uma resposta...tudo isso me cansa. Me cobra, me cobro.
Eu preciso de uma postura, uma decisão.
Talvez a decisão seja apenas esperar um pouco.
Por enquanto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cuidado.


Querem tirar tudo que se refere ao Criador.
Querem tirar a Glória Dele.
Buscam glória pra si.
Egocêntricos, antropocêntricos...

Fiquemos atentos. Aos poucos, estão querendo acabar com a Fé no Pai e "endeusar" homens. Aumentar limites (ou tirá-los) alegando liberdade.
Liberdade é poder falar de Deus (assim como falam de tantas outras coisas), liberdade é poder expressá-lo.
Estão nos aprisionando e tentando distorcer as coisas. Fazer com que a gente enxergue princípios como coisas ultrapassadas, dizendo que o certinho é passado,
o legal é ser estúpido, sem escrúpulos, ...
A educação tem mudado, alunos mandam em professores, pais se submetem aos filhos, ...
O pior é que muita gente que se diz "pensante ou inteligente" cai feito pato nessas conversinhas modernas e nem "tchum", nem percebem!

domingo, 11 de novembro de 2012

Desconstrução.


Muito se fala e se pensa na CONSTRUÇÃO.
Mas a DESCONSTRUÇÃO é muito mais difícil.
Claro, tudo depende do que (ou quem) estamos falando.

Mas desconstruir um sonho que foi todo detalhado no coração é uma das coisas mais difíceis.
Óbvio, falo de mim.
E é tão necessário destruí-lo. Mas ao mesmo tempo destruir um sonho parece tão cruel.
Embora o sonho que foi construído pelo excesso de minha imaginação não devesse ser tão real.
É...não deveria.
Pena que meu lúdico tenha mais força que as mentiras que me foram contadas, as ilusões que me foram apresentadas, os "NÃOS" que me foram apresentados, e os "SIMS" que me foram negados.

Você pode falar "Ah!É só destruir tudo de uma vez logo".
Sim, eu poderia fazer isso. Mas os cacos, pedaços (meus e dele, do que imaginei que ele era) voariam longe, me cortariam, me machucaria do mesmo jeito.
Então o jeito é desfazer. E quase toda palavra que tem como prefixo o "des" destrói.
Quando desfaço, não significa que deixei de fazer. Significa que fiz, e fiz tão bem feito que sozinho ele não é capaz de deixar de ser. É preciso desfazer.
E o desfazer é colocar em "xeque" tudo que eu acreditei para fazer. É dizer que o sonho foi mentira, que o dito não foi dito, o som não foi música, o cara não foi, não é e nem quis ser.

Eu já me despedi dele (do sonho).
Pedi pra ir embora. Me des-pedi.

O novo se apresenta tão presente. Tão presente! Dádiva.
Tão pronto, disposto. Se não fosse a DES-crença...
Não crença dele no que mais AMO.
Não crença minha de que é possível amar de novo.
Se não fosse a descrença.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Se o mundo vira as costas pra vc, vc vira as costas para o mundo?!

Eu não!
Se o mundo virar as costas pra mim, pulo nele e faço "cavalinho".
;)

Obscuro.


É estranho.
Inesperado.
Praticamente um assalto.

E a gente não sabe o que fazer,
como reagir ou ainda, se devemos correr.

Nem tudo que deu errado foi errado.
Nem tudo  que dá certo é certo.
O que deu errado poderia ser a coisa mais certa do mundo!
E o que dá certo pode ser insano!
Às vezes as coisas são claras, sim. Mas às vezes o óbvio é o contrário.
O complicado é saber quando é a hora do "claro" e quando é a hora do "contrário".

Sem saber o que fazer, simplesmente não faço.
Sem saber o que pensar, me desfaço.
Sem saber o dizer, me calo. Ou falo. Falo demais.
E falo mais. MAIS...pra tentar entender, soltar o laço, se devo ou não ir para o próximo passo.
Passo.
Eu passo por mim e não me vejo.
É estranho. Inesperado. Praticamente um assalto.
Será que eu salto?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

É só um momento, espero!


E de repente aquele dia que eu achava que nunca ia chegar, chega. E minha forma de enxergar muda, meu jeito de ouvir as coisas ditas e não ditas já não é o mesmo.
Não, não falo do dia que o amor aparece. Pelo contrário.
Naquele dia parece que acordei de um sonho, e a racionalidade me envolve de tal forma que é quase confundida com indiferença. Eu estou assim. Logo eu!
Todos aqueles momentos que guardava carinhosamente em minha memória parecem irreais, não passaram de invenções de minha ilimitada imaginação e fé nas pessoas. Fé que sumiu, desapareceu.
E cada lembrança faz eu me sentir mais idiota! E as pessoas que viviam na memória eram apenas atores dignos de OSCAR! E eu,...Ahhh eu....uma tola sem tamanho que um dia acreditou em Contos de Fadas, acreditou em palavras, em pessoas. Um dia acreditou.
Nesse dia que chegou me deparo com a descrença, com o pessimismo (até então desconhecido). E mesmo lutando contra tudo isso por uma questão de sobrevivência de meu "eu", não acredito mais!
E se antes, acreditando, eu era fechada; hoje, 'des-acreditando', estou ressabiada. E diante de todos os "ataques, flerte ou qualquer coisa", eu rio, levo na brincadeira. Porque é assim que o fazem: na brincadeira.
Porque é brincando de conquistar que me conquistam, mas como brincadeiras cansam e a gente quer mudar de brinquedo, param de brincar e eu sou obrigada a brincar de faz-de-conta sozinha. 
Mas agora não levo brincadeiras a sério. Nem levo a sério quem se diz sério, porque mentiras são feitas por pessoas sérias também.
Se antes tinham que provar por A+B, hoje é necessário o abecedário inteiro!

E não adianta você me falar que não é assim, que eu não posso pensar assim pois sempre explanei sobre o amor e coisas boas da vida. 
É involuntário. É consequência. Consequência insana, eu sei. Mas não posso mentir pra mim. É assim que me sinto AGORA. Mentir nunca foi meu forte (nem será). Não mudarei o discurso só porque você acha que estou magoada, revoltada ou sei lá o quê. 
O discurso, o percurso pode mudar, claro! Mas pra isso, muita coisa terá que mudar junto.