Dupla Delícia.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Feliz Aniversário! (?)



Já há algum tempo Marina tinha decidido prosseguir sua vida sem a companhia de quem ela amava. Ele (que ela amava) decidiu assim, por pura conveniência, covardia ou sei lá o que...Essas coisas que a gente não sabe dar nome, só sabe que impede o outro de agir. Excesso de razão talvez, talvez excesso de sentimento...talvez ausência de um dos dois. Enfim,...essa história já passou. (eu acho)
Ela conheceu Bruno, que logo de cara se apaixonou. Marina não sabia mentir (nem pra ela mesma!), embora tentasse SE enganar muitas vezes. Abriu o jogo. Contou do passado morto e enterrado. Aliás, só enterrado. Enterrado vivo, bem vivo!
Bruno estava disposto. Era um bom rapaz. Amável.
Eles gostavam de estar juntos, trabalhavam juntos. Cada dia que passava era mais um de história construída com muita determinação e coragem (ou seria medo). Nunca sei se julgo corajoso alguém que se envolve com alguém por comodidade, porque aconteceu, ou se julgo medroso. Não sei se é preciso muita coragem para agir com tamanha frieza e racionalidade e viver na mornidão. Ou se é muito medo do amor simples...É aquela velha mania de complicar sem perceber.
Não sei se acabei de descrever o dilema de Marina ou de Rodrigo (o que começou a história toda).
Bruno era muito sensível, ele percebia que ela não estava inteira, ele sempre soube disso. Mas sempre teve muita vontade de construir uma vida com Marina, o que fazia com que todo obstáculo fosse uma mera pedrinha no caminho.
E como diria Drummond, 'tinha uma pedra no meio do caminho'. E parece que não era simples retirá-la.
Rodrigo bem mais 'esperto' que Marina já estava se relacionando com outra mulher logo depois que terminou com ela. Como diriam aqueles que têm o humor mais ácido: "a cama ainda estava quentinha quando a outra se deitou".
Não, não vou entrar aqui na discussão eterna das diferenças gigantescas entre homens e mulheres! Até porque eu não entendo, simplesmente aceito.
Ele estava "bem, obrigado".
Por saberem da história e do amor que Marina guardava,ela escutava diversas vezes de alguns "você é bem diferente, né? Não cansa?! O mundo caminha de outro jeito!". Mas nunca se importou e respondia (QUANDO RESPONDIA, NÉ):"E vocês que são todos iguais! Isso sim deve cansar!O MEU mundo caminha do jeito que acredito. Obrigada pela preocupação."

A história pode parecer confusa, mas o que quero que fique claro é que Marina namorava Bruno. E Rodrigo, seu ex, namorava outra. Nada demais, eu sei.
A única coisa que tinha de "mais" era a falta. Falta que um sentia do outro.
Marina e Rodrigo mantinham amizade, se falavam uma vez ou outra, mantendo uma "normalidade ridiculamente falsa", disfarçando qualquer interesse MAIOR.

Datas comemorativas eram sempre um bom pretexto. Aniversário de Marina.
Rodrigo combinou de encontrá-la para dar um abraço de aniversário. Bruno sabia. Ela sempre contava pra ele qualquer coisa para evitar maiores problemas. Ele engolia a seco aquela 'amizade'.

Ele chegou na porta da casa dela, ela saiu. Ficaram lá conversando sem dizer. Quando falavam alguma coisa, as palavras contradiziam a intenção, o coração. Ambos disfarçavam. Mas...tem coisa mais óbvia que um olhar de amor???

Bruno os viu de longe e esperou. Assistiu tudo. O 'tudo' que era nada. Nada de mais. Mas 'o nada' mais cheio que já se viu.

Rodrigo deu um abraço e despediram-se mais uma vez.
Logo depois Bruno se aproximou da casa e cumprimentou Marina dando um beijo na testa.
Ela estranhou.
-Oi meu bem...
-Feliz Aniversário! Você não tem ideia do quanto eu te quero bem, do quanto gosto de você, e eu te...
Antes que ele pudesse falar mais, Marina o beijou pra evitar ouvir a temida e desejada frase da boca de quem não deveria vir.
-Eu quero te dar um presente de aniversário. Mas saiba que não é fácil.
-Não é fácil o quê? Não estou entendendo.
-Eu cheguei há alguns minutos e fiquei esperando o Rodrigo ir embora para me aproximar. Eu não fiquei enciumado, mas fiquei com inveja de como vocês se olham. E não falo só do seu olhar pra ele, mas o olhar dele pra você. Quando se está de observador da história é tão fácil perceber o amor, tão óbvio... Você nunca foi inteira comigo, eu sei que estava se esforçando. E é isso! Vocês juntos é algo tão natural, parece que é inevitável, mas eu não sei porquê vocês evitam. Essa cumplicidade no olhar, no não-falar... A intensidade num simples toque, num 'pegar na mão',...Hoje eu vi você rindo como eu nunca tinha visto! Parecia transbordar emoção em 30 minutos que conversaram. Em 30 minutos ele te teve mais do que eu em 1 ano! Ele é um cara de sorte, de muita sorte...só precisa pensar menos. Pela história que você me contou, ele pensa demais e isso pode se tornar um defeito quando envolve coração. Porque amor não é matemática, não tem lógica...Ele sente isso por você mas não sabe administrar e por não entender rejeita a ideia. Mas, mais cedo ou mais tarde vocês ficarão juntos...
Lágrimas fugiam dos olhos de Marina, e ela disse chorando:
-Bruno, perdão. Eu tentei tanto! Você sabe que eu tentei...Eu nunca quis te decepcionar, te ferir,...Você está se despedindo de mim no dia do meu aniversário?
-Não encare assim. Estou te dando um presente de aniversário! Esse amor nunca morreu e, provavelmente, nunca vai morrer. Vocês são NATURALMENTE um casal.Qualquer pessoa que QUEIRA encarar a verdade vê isso. E seria egoísta e insano de minha parte interferir nisso. Eu te impediria de ser plena, e não tendo você por inteiro...eu também não seria feliz.
-Mas, Bruno, foi ele quem terminou. E você sair da minha vida não vai mudar o que ele decidiu.
-Meu anjo, descanse. O que flui com naturalidade não tem como não acontecer. É só uma questão de ousadia, coragem e tempo.[...] Muito obrigado por tudo que vivemos, mesmo que tenha sido uma "meia vivência". Eu já vou, doeu muito fazer e falar isso, mas pode ficar tranquila que vou em paz pois fiz o que devia ser feito.


É, eu sei que você deve estar pensando que é difícil ver alguém agindo assim, mas acredite, tem.

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