Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Seria a última chance?



Ah!Foi tudo perfeito! Foi...
Ana e Ben.
Eles se conheceram como dois amigos que se acham. Se conheceram como se já se conhecessem.
A liberdade, a troca, a admiração mútua, os olhares, as risadas...até os silêncios...Tudo era compreendido. Tudo causava identificação. Até onde não eram semelhantes encaixavam, porque onde havia diferença, havia o espaço exato no outro para o encaixe. Como a peça única do quebra-cabeça.
A rapidez do sentimento, do acontecimento assustou Ben. Pra ele, às vezes é mais fácil amar do que ser amado. Ser correspondido na mesma intensidade parecia irreal pra ele. Sempre tão acostumado a surpreender...foi surpreendido. Sem saber o que fazer, ao invés de não fazer nada, fez.
-Não estou preparado.
-Preparado para o amor?
-Não sei. Não sei lidar com isso nessa circunstância.
-Qual? De se esforçar um pouco? Não, não precisa me responder.

Dessa vez quem foi surpreendida foi Ana. Sem saber o que fazer, não fez. Aceitou. Aceitou sabendo que aquele espaço jamais seria substituído, mas aceitou. Covardia? Talvez.
Pra Ana, nunca foi fácil amar. Ela nunca soube jogar o jogo do amor que propunham. E depois dessa então...
Ben, como todo homem, seguiu facilmente a vida. Engatou um namoro novo e foi. Se foi.
Se contradizia muitas vezes, mas jamais assumiria isso (embora ele fosse sincero. Mas é justamente essa contradição!).
Por um tempo, Ana desistiu dele, mas nunca do amor que sentia por ele. Simplesmente porque não dá pra jogar amor fora. Amor é semente frutífera demais, multiplica sem a gente ver.
Mas todos os dias ela decidia não amá-lo.
2 anos depois Ana conseguiu namorar, beijar outra pessoa, olhar pra outra pessoa (mesmo que fosse apenas com os olhos naturais e não os do coração). Seu namorado era amável, gentil, disposto a entrar na briga por seu coração. Ana sempre teve sorte com os personagens de sua história, só não tinha sorte com os acontecimentos. Mas, pra ela, sempre eram boas pessoas.

Ben era teimoso e tentava basear sua teimosia numa razão que ele não tinha (mas fingia ter. Aliás, fingia muito bem!). Mesmo sem nunca entender aquela decisão tão estúpida do amado, Ana se cansou de lutar contra o que sentia, mas ao mesmo tempo se cansou de lutar por QUEM sentia. Decidiu dar o amor de Ben pra o outro (seu atual namorado). Era estranho pra ela, mas era o que precisava ser feito. Ana acreditava que fazendo isso todos os dias, um dia aquele amor que ela dava seria naturalmente de seu namorado.

Eles se reencontraram.
Seria mais uma chance que o Amor estava lhes dando???
A essa altura Ben já namorava há quase dois anos com outra moça. Se mostrava decidido em sua escolha. Decidido a negar o que todos procuram e que ele tinha achado...o amor. Mesmo que pra isso fosse preciso mentir pra si, mentir pra Ana, ferir Ana com palavras "ditas verdadeiras". Ana se perguntava se mentiras feitas pelo inconsciente eram válidas, eram maldade ou ignorância, mas nunca chegou a conclusão nenhuma, a não ser PERDOAR.

Se abraçaram por alguns minutos em silêncio. Naquele clima sem graça soltaram-se.
Conversaram, confessaram a falta, compartilharam o silêncio tão gritante nesse tipo de situação. Ana deu mais uma chance e Ben pegou a chance e amassou.
Despediram-se. DES- Pediram -SE.



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