Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Por isso.


Às vezes pra esquecer o passado é preciso também se desfazer do futuro. O futuro sonhado.
E não era nada fácil pra Liz se despedir de um sonho, pois o lúdico sempre foi seu mundo real.
Sim, o sonho era lindo, de encaixe perfeito, com todos os defeitos aceitáveis pra Liz e com qualidades comuns, mas que por ser sonho ganhavam uma outra dimensão.
Mas agora Felipe estava ali diante dela. Ele não era o sonho, mas também não era mentira, não era momentâneo (convenientemente). Era real. Foi construído, foi descoberto e estava sempre perto.
Aos poucos a imagem do sonho foi sendo borrada. Borrada pelo tempo, pela realidade, pela superficialidade.
A realidade às vezes não é tão romântica. É dura. Não te diz coisas lindas sempre, não diz que te admira pelo que é, orgulhosamente não reconhece suas virtudes (ou não as enxerga), mas tem um jeito próprio de declarar. Porque a realidade permanece. Não se vai com o primeiro vento, nem depois da primeira noite.
A realidade pensa, pesa, escolhe.

Liz já havia confiado demais em sonhos. Hoje não acreditava nem em sonhos, nem nos personagens dos sonhos. Era difícil dizer adeus. E tão difícil quanto era dar as 'boas vindas'.
E mesmo naquela realidade toda Liz sentiu-se insegura.
-Por que você quer ficar comigo? Por que você está comigo?
Felipe pensou, pensou...Usar a razão sempre foi uma característica presente nele (embora não tenha muita inteligência emocional).
Os minutos foram passando. Minutos que pareciam engoli-lo com uma pergunta tão simples.
Ela deitou em seu peito e ele ressuscitou a pergunta.
-Por isso._e abraçou-a. Porque quando estou com você, não preciso de mais nada.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando fecham a porta.



''Eu sei, eu já falei mais. Bem mais!
Mas o problema é que quanto mais a gente fala e tenta explicar, mais as pessoas se importam com coisas  'des-importantes', se concentram na vírgula que a gente não disse, na respiração no meio da frase. 
E como se fosse apenas uma observação de COMO a gente disse alguma coisa, afirmam suas interpretações e acabam dando um outro sentido ao que foi dito. E pior, duvidam do que você diz ou tentam completar suas frases, seus pensamentos. 
Porque de acordo com seus estudos próprios e deduções tentam te encaixar em alguma coisa pronta, lógica e de fácil leitura. É, porque é mais fácil assim. Diante de personagens já estudados podem ter reações programadas e pensadas. E perdem a espontaneidade, perdem o hoje, o agora.''

Maria pensou, pensou e acabou concluindo esse ''pensamento aberto'' acima.

Ela não se referia apenas ao Pedro. Maria falava de Pedro, falava dela mesma, de seu passado. Ela também já tinha sido assim, dessas de focar em tantos detalhes que se perdia e fazia os outros se perderem. Porque nem tudo é pensado, calculado. E quando somos questionados sobre onde está a vírgula nos perdemos. Nos perdemos de nosso presente para tentar achar explicação ao que foi dito, ao que foi ocultado. Começamos a vasculhar o passado recente, as memórias antigas, as lembranças escondidas. E com tantas perguntas e paradas para tentar responder o desnecessário, o presente passa. O futuro chega desfeito, faltando partes (a parte do presente).

Logo Pedro que parecia disposto a ensiná-la a viver o AGORA...
Logo agora que Maria vivia um dia por vez... Pedro decidiu voltar atrás. Ele queria mais. Mais que o presente. Queria garantias. E garantias Maria não podia mais dar, porque ela estava aprendendo a viver o PRESENTE. Ela não podia se trair, e voltar a sua insana preocupação com o futuro. Logo agora que estava se libertando dele (do amanhã).
Logo agora que ela estava entrando, ele fechou a porta.
Logo agora...
Agora Maria estava só com seu pensamento aberto diante de uma porta fechada.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Era tarde.

Era tarde. Há muito tempo esperava. Um sim. Era isso que esperava. 
Mas sabia que a realidade não era essa. Então buscou o "não" e o encontrou. Depois de tanto tempo ela achava que seria fácil ouvi-lo e dizê-lo. Não. Não era apenas um negação, era um adeus. 
Mas era tarde, tarde demais pra negar e matar um sentimento que já tinha adquirido vida própria. Um casinho, que virou um caso a ser estudado. Porque ele não merecia toda essa atenção do coração. Não porque o cara era ruim, mas porque simplesmente não quis dar chance para amá-la. E seria fácil amá-la. Pelo menos é o que diziam. Mas ele encontrou uma outra mulher e fez sua escolha. Escolha que deixou Maria sem chão. 
Já era tarde da noite e ela o esperava para colocarem o ponto final. Ela estava calma, segura, pronta. Ele estava como sempre esteve, seguro, indiferente a qualquer coisa, tanto fazia um sim como um não, nada o abalava. 
Ele disse um tanto de coisas que não eram coerentes com a pessoa íntegra que parecia ser. "Nunca gostei de você. Talvez eu só queria te conquistar porque eu ficava te observando...". E falou isso como quem fala "me passe a manteiga". Com uma naturalidade descabida nesse tipo de declaração. Porque quando se trata de coração devemos ter mais cuidado. 
 Mas era mentira, ela estava anestesiada e não calma, incrédula com o que estava acontecendo e não segura, desfeita e não pronta. Era tudo disfarce pra parecer madura o suficiente para ouvir um adeus e não chorar. Como se chorar fosse coisa de criança! Ela sabia que não era coisa de criança, mas e ele sabia? Talvez ela não tenha virado adulta, era apenas uma ex-criança. E ex-crianças crescem sim, amadurecem, mas são entregues, ingênuas. Não abandonam a criança, apenas acrescentam um "ex" na frente. 
Despediram-se e mesmo depois, sozinha, Maria não derramou uma lágrima sequer. As palavras dele fizeram-na secar. E assim ela ficou durante alguns meses. Seca. 
Maria viajou. Foi pedida em casamento por um cara do passado, um cara que ela mal tinha conhecido. Ele se declarou, falou que tinha medo de amá-la pois sabia que isso era fácil e ela não morava na mesma cidade que ele, mas que era a mulher que ele queria e que esperava muito que ela aceitasse... 
Enfim, Maria sequer o havia beijado dessa vez, eram apenas amigos. Ela estava determinada a dar chance para o coração dela, mas isso era com outra pessoa, com um cara que ela já estava se envolvendo. (Engana-se quem pensa que receber pedido de casamento é lindooo! Tá, pode até ser mas se for feito por alguém que você não ama é angustiante, dá vontade de correr, sumir... Principalmente quando a pessoa não merece um não mas o coração não entendeu. Não cedeu, não mexeu, não percebeu).  
Hoje já é tarde. Maria olha pro passado com uma certa aflição pois parece que tudo não passava de sua imaginação. Apesar de que hoje ela consegue olhar para o passado e vê-lo lá longeee, sem a mínima vontade de trazê-lo de volta. Isso já é ótimo! 
Mas Maria não consegue olhar para o futuro, está tudo embaçado. Ela não consegue fazer crescer sentimentos, ela AINDA está seca de esperança e crença nas pessoas. Mas isso é uma questão de tempo dela, e determinação e paciência de quem a amar. 
Ela sabe, é cedo, muito cedo pra desistir do amor ou dizer qualquer coisa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ausência justificada.

É, fazia tempo que eu não escrevia.
Não que eu não quisesse, mas porque o que era pra me fazer livre às vezes me prende.
Se escrever era minha forma de voar, por um período me colocou numa prisão. E a culpa foi minha por permitir que me perturbassem, por deixar que os outros interferissem, colocassem o dedo nas MINHAS histórias.
Uma gente que se identifica na história e se acha no direito de invadir minha arte, minha parte. Gente que não sabe a diferença entre ficção e realidade. Gente que confunde coração com racionalidade. Gente que destrói sonhos com crueldade.
"Ah, mas pense em fulano! O que ele(a) vai sentir?"
Peraí!!! Pelo menos nesse espaço aqui eu posso pensar em mim, só em mim. Posso imaginar, sonhar, acreditar, começar, terminar.
Pensar em fulano, na ciclana? Ahhhh, me poupe! E em mim, quem vai pensar? E a explosão de conto que acontece dentro de mim e precisa expressar? Quem o fará por mim? Ninguém! Porque ninguém é igual a ninguém. Ninguém sabe o que passo, o que acumulo, o que é bagaço. Ninguém sabe o que guardo ou o que amasso.
Deixei de escrever por uns dias não por falta de inspiração apenas, mas por falta de coragem, por covardia, por me sentir refém no meu próprio espaço.

Agora já deu. Continuarei expressando "meu eu"!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Viajo porque preciso.


Às vezes a gente precisa visitar o passado pra dar início ao futuro. Pra ter certeza que o presente não é uma fuga do ontem ou do anteontem que te fez tão bem e tão mal ao mesmo tempo.
É preciso viajar. Viajar no tempo, mudar de lugar, ir ao encontro do que era tão grande e encará-lo no hoje.
Porque nessa visita a gente SE percebe, percebe as reações do coração. Se o coração tem carinho de forma controlável, se ele não quer sair pela boca e se você não fica apreensivo com o tal encontro...é porque o amor parou ali junto com a vivência. É porque o amor virou apenas aquele retrato preto e branco que a gente guarda no fundo da caixa.Tem carinho, reconhece que foi bom, guarda mas não quer mais voltar lá. Foi um capítulo importante, SIM, mas...que passou.
E nesse encontro a gente vê a pessoa sem os olhos da paixão, sem todo aquele querer e imaginação. Parece tão diferente! Mas não é. O que mudou foi nossa forma de ver. Agora tem clareza,... tudo tão óbvio.

E é preciso tudo isso, toda essa viagem (literalmente também) porque o presente tem que estar livre pra fluir!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ele.

Ainda tinha resquícios do passado. Vez ou outra Clara AINDA pensava no que tinha acontecido, o que tinha sido aquilo que ela havia vivido.
Mas ela não recordava da mesma forma, agora parecia irreal e tão distante... Ainda mais agora que ela tinha companhia constante, um companheiro brilhante! Um cara que todos os dias fazia Clara sentir-se amada, especial. Se ela era ou não é outra história! Mas que ele fazia ela sentir-se assim...isso fazia!
Ele a chamava de "minha mulher". Clara gostava, achava possessivo o termo, mas gostava. Na cabeça dela, quando ele dizia isso parecia que ele tinha orgulho em tê-la ao lado. Ele queria exibi-la, mas ela não sentia-se um troféu, sentia-se apenas parte dele. Era estranho.
Ele a incentivava no trabalho, por incrível que pareça, apesar de machista (um BOM machista), ele parecia entendê-la, entender sua necessidade de arte.
Ele queria estar ao lado dela de uma forma que, talvez, ela nunca tinha vivido.
E ele era tão entregue, da forma que ela sempre esperou. Dizia quase tudo o que pensava, enquanto ela engolia cada "MAS, PORÉM...". Ela se calava, não tinha o que falar, não sabia o que estava acontecendo. E quando não sabemos o que se passa dentro é melhor não deduzir, não REDUZIR, não seduzir. É melhor aguardar do que inventar. Dar nome ao que nem a gente sabe é um tanto insano.
Ele esperava uma resposta qualquer dela, esperava uma reação, mas ela se escondia ou embaralhava tudo cada vez que ele queria concluir uma ideia, um pensamento. Não por maldade, ela fazia isso por hábito, por precisar do tempo até que tudo ficasse nítido.

Clara só sabia de uma coisa : a melhor parte de ter alguém gostando de vc, é que vc é responsável por fazê-lo sorrir. E como é bom fazer alguém rir!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quando um momento ganha reticência.


Palavras bonitas. Como Ana já havia ouvido palavras bonitas!
Promessas, confissões, declarações.
Ela já tinha ouvido muita coisa que se soubessem a invejariam.
Pedidos de casamentos negados. Pedidos que não souberam esperar a hora certa da resposta.
Sim, ela os negou. Absurdo? Não. Absurdo seria aceitar um pedido de eternidade sem pensar, pesar, ...na verdade, sem coração.

Quanto ela já foi agraciada com atitudes encantadoras!
Um cuidado com cada detalhe de seu dia.
Um café-da-manhã pronto.
Uma flor no meio do caminho.
Tudo tão passageiro que não merecia ser citado. Mas Ana citava. Ela gostava de engrandecer as coisas boas e apagar as ruins.

O problema é que cada palavra bonita acompanhada de cuidado, cada promessa acompanhada de uma noite de amor, cada flor que se declarava não passava de fantasia, mágica. Porque quando a realidade era colocada à prova, as palavras bonitas viravam pó, as promessas se tornavam brincadeiras, as confissões....mentiras.
As atitudes encantadoras quando são soltas não passam de galanteios, vaidade...E a vaidade é vã.

Então, Ana se deparou com o 'de repente' (sempre presente em sua vida).
E de repente, sua companhia constante virou companheiro.
Um companheiro inesperado mas que fazia todo o combinado. Palavras, atitudes, espera....tempo.
Ele sabia lutar, sabia o que queria, e queria o melhor..."o seu melhor".
E cada questão que Ana levantava, ele solucionava. Cada muro que ela erguia, ele pulava.
E mesmo que inesperado, uma coisa era certa: ele estava ao seu lado e desejava aquele momento com reticências.





Meu caminho.


Eu tento me apegar às regras, mas as regras não me pegam, não.
Até observo conceitos, mas logo vejo que com o tempo eles se vão.
Claro, tenho lógica! Quem não tem? Mas não a sua lógica ou a de um filósofo famoso, nem de cientista meticuloso.
Não sou de pegar coisas prontas, tenho a minha lógica! E acredite, a minha lógica aceita quase todas as outras. Porque pra ter razão não precisa fazer sentido, tem que ter motivo, canção...tem que pulsar.
Lógica não tem nada a ver com matemática, é estrada, é caminho. E caminho, cada um faz o seu.
Tem gente que segue os caminhos largos, prontos, enfeitados, cheios de referências, "honras"... Eu não.
Acho mais graça fazer o MEU caminho. Pode até não ser muito compreendido ou admirado por quem gosta da obra concluída,  afinal tenho que desbravar um lugar "fechado", correr certos riscos, mesmo já tendo estradas prontas.
Mas eu gosto é do processo,  da descoberta. É mais gostoso, mais curioso, tudo é novo, cada instante é um "de repente". E eu? Eu gosto do "de repente".

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Lógica.


Eu que nunca tive lógica, nunca soube usá-la decidi desejá-la. A lógica.
Não é nada fácil meu casamento com ela. Não a conheço. Não sei nem por onde começar.
Me angustia ter que viver ao lado dela mesmo sabendo que viver com lógica não tem lógica nenhuma. 
É necessário o equilíbrio. Eu sei.
Mas eu sempre ensinei todo mundo que eu podia ensinar a arriscar, a criar uma nova lógica, a lógica do amor. E a lógica do amor é ilógica, é contrária, é ousada...é VIDA.

E quando decido ser um pouco mais "esperta", mais atenta ao que dizem, ao que sentem...Ele aprende o que eu sempre quis ensinar, e ele ousa (sem ver)se entregar, sair do morno da lógica.
Nunca imaginei! Ele?! Nãoo, vocês não sabem o quanto há razão, conhecimento, fugas ali dentro! De repente ele despertou.
O despertar dele me apertou. Me desesperou. Porque agora vivo meu momento de aprendizado na razão.
Mas ele me quebra cada vez que me diz coisas que constrangem (me constrangem por serem coisas belas e boas que nunca esperei dele). Uma declaração atrás da outra. Seja com palavras, com olhares...
Mas eu preciso aprender a graça da lógica, então me prendo a cada detalhe pra dizer não. Uma crença desigual (o que torna nossas prioridades díspares), a ausência de uma gentileza essencial pra mim, ...
Investigo, instigo.
E me vejo vivendo aquilo que sempre critiquei, que sempre lutei contra: a guerra da Lógica X "a entrega".
Ele me faz ver que meu passado nunca existiu. Foi mentira. Foram invenções de meu mundo imaginário.
As pessoas que passaram não foram tão legais assim como eu insisto em dizer e acreditar. Ele, gostando de mim dentro de toda lógica e com práticas condizentes, me faz encarar a realidade do passado inventado que  eu tive.
Confesso, não é a melhor coisa do mundo ter que enxergar as coisas do ponto de vista lógico, sem justificativas, sem maiores explicações para cada mau comportamento. Mas depois deve fazer bem.
Deve fazer.
Depois.

domingo, 18 de novembro de 2012

No meio.

Ninguém sabe como é angustiante estar no meio do caminho. Até que se esteja.
Principalmente quando ao olhar pra trás não se vê nada palpável, e olhando pra frente não se enxerga nada.
O medo do próximo passo existe, não posso negar.
Aí você pode dizer: "mas é necessário".
SIM, eu sei disso. Mas a questão é : ESSA É A HORA CERTA?
E se eu der o passo agora e mais uma vez for precipitada? E se eu demorar e perder a hora?

Estar no meio do caminho com tantas perguntas na cabeça e ao mesmo tempo ter alguém do seu lado que depende de suas respostas é pior ainda!
Olho pra trás e nada, pra frente e nada....pro lado e lá está ele esperando um sim, um não, qualquer coisa lógica! Mas a lógica anda sumida da minha vida, assim como a intuição.
E cada semana se torna um desafio. Um desafio pra encontrar respostas.
E às vezes esse desafio todo, essas perguntas dentro de mim, esse olhar (além do meu!) esperando por uma resposta...tudo isso me cansa. Me cobra, me cobro.
Eu preciso de uma postura, uma decisão.
Talvez a decisão seja apenas esperar um pouco.
Por enquanto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cuidado.


Querem tirar tudo que se refere ao Criador.
Querem tirar a Glória Dele.
Buscam glória pra si.
Egocêntricos, antropocêntricos...

Fiquemos atentos. Aos poucos, estão querendo acabar com a Fé no Pai e "endeusar" homens. Aumentar limites (ou tirá-los) alegando liberdade.
Liberdade é poder falar de Deus (assim como falam de tantas outras coisas), liberdade é poder expressá-lo.
Estão nos aprisionando e tentando distorcer as coisas. Fazer com que a gente enxergue princípios como coisas ultrapassadas, dizendo que o certinho é passado,
o legal é ser estúpido, sem escrúpulos, ...
A educação tem mudado, alunos mandam em professores, pais se submetem aos filhos, ...
O pior é que muita gente que se diz "pensante ou inteligente" cai feito pato nessas conversinhas modernas e nem "tchum", nem percebem!

domingo, 11 de novembro de 2012

Desconstrução.


Muito se fala e se pensa na CONSTRUÇÃO.
Mas a DESCONSTRUÇÃO é muito mais difícil.
Claro, tudo depende do que (ou quem) estamos falando.

Mas desconstruir um sonho que foi todo detalhado no coração é uma das coisas mais difíceis.
Óbvio, falo de mim.
E é tão necessário destruí-lo. Mas ao mesmo tempo destruir um sonho parece tão cruel.
Embora o sonho que foi construído pelo excesso de minha imaginação não devesse ser tão real.
É...não deveria.
Pena que meu lúdico tenha mais força que as mentiras que me foram contadas, as ilusões que me foram apresentadas, os "NÃOS" que me foram apresentados, e os "SIMS" que me foram negados.

Você pode falar "Ah!É só destruir tudo de uma vez logo".
Sim, eu poderia fazer isso. Mas os cacos, pedaços (meus e dele, do que imaginei que ele era) voariam longe, me cortariam, me machucaria do mesmo jeito.
Então o jeito é desfazer. E quase toda palavra que tem como prefixo o "des" destrói.
Quando desfaço, não significa que deixei de fazer. Significa que fiz, e fiz tão bem feito que sozinho ele não é capaz de deixar de ser. É preciso desfazer.
E o desfazer é colocar em "xeque" tudo que eu acreditei para fazer. É dizer que o sonho foi mentira, que o dito não foi dito, o som não foi música, o cara não foi, não é e nem quis ser.

Eu já me despedi dele (do sonho).
Pedi pra ir embora. Me des-pedi.

O novo se apresenta tão presente. Tão presente! Dádiva.
Tão pronto, disposto. Se não fosse a DES-crença...
Não crença dele no que mais AMO.
Não crença minha de que é possível amar de novo.
Se não fosse a descrença.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Se o mundo vira as costas pra vc, vc vira as costas para o mundo?!

Eu não!
Se o mundo virar as costas pra mim, pulo nele e faço "cavalinho".
;)

Obscuro.


É estranho.
Inesperado.
Praticamente um assalto.

E a gente não sabe o que fazer,
como reagir ou ainda, se devemos correr.

Nem tudo que deu errado foi errado.
Nem tudo  que dá certo é certo.
O que deu errado poderia ser a coisa mais certa do mundo!
E o que dá certo pode ser insano!
Às vezes as coisas são claras, sim. Mas às vezes o óbvio é o contrário.
O complicado é saber quando é a hora do "claro" e quando é a hora do "contrário".

Sem saber o que fazer, simplesmente não faço.
Sem saber o que pensar, me desfaço.
Sem saber o dizer, me calo. Ou falo. Falo demais.
E falo mais. MAIS...pra tentar entender, soltar o laço, se devo ou não ir para o próximo passo.
Passo.
Eu passo por mim e não me vejo.
É estranho. Inesperado. Praticamente um assalto.
Será que eu salto?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

É só um momento, espero!


E de repente aquele dia que eu achava que nunca ia chegar, chega. E minha forma de enxergar muda, meu jeito de ouvir as coisas ditas e não ditas já não é o mesmo.
Não, não falo do dia que o amor aparece. Pelo contrário.
Naquele dia parece que acordei de um sonho, e a racionalidade me envolve de tal forma que é quase confundida com indiferença. Eu estou assim. Logo eu!
Todos aqueles momentos que guardava carinhosamente em minha memória parecem irreais, não passaram de invenções de minha ilimitada imaginação e fé nas pessoas. Fé que sumiu, desapareceu.
E cada lembrança faz eu me sentir mais idiota! E as pessoas que viviam na memória eram apenas atores dignos de OSCAR! E eu,...Ahhh eu....uma tola sem tamanho que um dia acreditou em Contos de Fadas, acreditou em palavras, em pessoas. Um dia acreditou.
Nesse dia que chegou me deparo com a descrença, com o pessimismo (até então desconhecido). E mesmo lutando contra tudo isso por uma questão de sobrevivência de meu "eu", não acredito mais!
E se antes, acreditando, eu era fechada; hoje, 'des-acreditando', estou ressabiada. E diante de todos os "ataques, flerte ou qualquer coisa", eu rio, levo na brincadeira. Porque é assim que o fazem: na brincadeira.
Porque é brincando de conquistar que me conquistam, mas como brincadeiras cansam e a gente quer mudar de brinquedo, param de brincar e eu sou obrigada a brincar de faz-de-conta sozinha. 
Mas agora não levo brincadeiras a sério. Nem levo a sério quem se diz sério, porque mentiras são feitas por pessoas sérias também.
Se antes tinham que provar por A+B, hoje é necessário o abecedário inteiro!

E não adianta você me falar que não é assim, que eu não posso pensar assim pois sempre explanei sobre o amor e coisas boas da vida. 
É involuntário. É consequência. Consequência insana, eu sei. Mas não posso mentir pra mim. É assim que me sinto AGORA. Mentir nunca foi meu forte (nem será). Não mudarei o discurso só porque você acha que estou magoada, revoltada ou sei lá o quê. 
O discurso, o percurso pode mudar, claro! Mas pra isso, muita coisa terá que mudar junto.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Deu branco.

Às vezes a gente até vira a página, mas como é pesada a próxima página!
O vento sopra e parece que aquela nova página cai sobre a gente pesando toneladas!

E a gente prossegue, fingindo que nada aconteceu. É fácil fazer isso! Basta não lembrar, ou SE lembrar...colocar na cabeça todas as coisas duras que foram ouvidas ("eu nunca te amei"). E aí a gente prossegue com  raiva até que se torne indiferença e a indiferença se torne ausência de memória. E nesse lapso da memória a gente constrói qualquer coisa em cima. 
E sabe que isso até dá certo até que... Até que você esbarra no "tal", ou recebe uma notícia dele sem buscá-la, ou vê uma foto que te faz lembrar do sonho. Sonho que você sonhava sozinha, mas sonhava.
E quando alguma dessas coisas acontece, toda construção em cima do lapso forçado de sua memória vai por água abaixo. Literalmente. Água, lágrimas abaixo.

E não tem mais o que fazer.Te falaram pra prosseguir, você o fez.
Te falaram para ignorar, você o fez.
Te falaram que com o tempo ia passar...E a única coisa que realmente passou foi o tempo e a vergonha na cara. A vergonha na cara por gostar de alguém assim passou longe!
E LONGE é o único lugar que você queria estar. Longe de tudo isso, de todo esse sentimento.
Mas não adianta, porque por mais longe que você esteja, por mais rápido que você fuja, o amor de graça por aquele "tal" está dentro de você.

Aí você torce para que sua memória dê um branco, e seu coração também levante uma bandeira branca gritando 'PAZ'!!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Que período!


Estamos num período lastimável. Um período onde todo mundo acha que entende tudo. 
Mas não é esse o problema. O problema é que estão cada vez mais cheios de si, cheios de justiça própria...achando que são aptos a julgarem quem quer que seja. 
Julgar situações (se ela é boa ou não pra vc, se convém ou não) ou comportamentos é uma coisa. Julgar pessoas é estúpido e revela muito mais sobre quem julga do quem está sendo julgado.
Estão cada vez mais prontos para criticarem baseados em NADA!

Escondidos atrás da tela do computador se acham "heróis", ficam corajosos, ... Infelizmente, vemos com frequência em redes sociais pessoas criticando pessoas, apontando o dedo... Profissionais de uma área falando de seus colegas... Por exemplo: acabei de ver um jornalista criticando o outro. Mas não criticando a informação, criticando o jeito do outro, a espontaneidade...Isso, pra mim, é falta de respeito com a individualidade do outro. Se você não concorda, não assista! Se não é sua linha de raciocínio, busque outra fonte. Ou será inveja?!

Sabe, vemos gente que só quer espalhar podridão por aí, espalhar desilusão,...

"A boca fala do que está cheio o coração".

Justiça própria é tolice!
Inveja é a podridão dos ossos.
Julgar é, no mínimo, arrogante!

DEUS, só existe UM.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Que fique claro!

Uma amiga comentou que estava levando muita pedrada.
Mas pensemos e não nos preocupemos.
Pessoas com as mãos cheias de pedras geralmente têm a cabeça cheia de vento e o coração cheio de justiça própria. Ou seja, as pedras perdem o impacto e acabam virando confetes!
Então, a gente fica assim: se você se acha deus e é cheio de justiça própria, jogue suas pedras. Pelo menos assim, você esvazia suas mãos e passa a ficar mais coerente com a cabeça vazia! E pode ter certeza que cada pedra que você joga em alguém, é mais uma pedra na coroa desse alguém...você está apenas dando mais "glória" pra essa pessoa que, com certeza, está no centro de sua vida.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pense bem, pode ser outra coisa!


Nem toda perda é derrota.
Nem todo "não" é má sorte.
Nem todo "adeus" é morte.
Às vezes o que pensamos ser algo que perdemos é simplesmente algo que Deus nos livrou.
O que pensamos ser fim é um recomeço.
O que pensamos que é a morte, é só pretexto pra que brote vida que vale à pena: é a ressurreição.
Suba mais alto, olhe lá de cima, entenda...E se não entender, AGUARDE.


sábado, 29 de setembro de 2012

É só esperar...


Tudo não passava de um sonho. Eu sei.
Eu já sabia.
Era ilusão?Aí também não. Acho que era só uma outra forma de ver, era só um outro ângulo, uma outra percepção. Talvez um ângulo inventado, sim. Mas e daí?
Há alguma placa escrito que é proibido sonhar?
Já que é pra imaginar, que sejam coisas boas, belas palavras como se fossem verdade, boas pessoas como se fossem reais, ...Já que posso sonhar, que seja doce, leve, divertido, inocente, simples!

Dizem que é loucura sonhar demais. Mas, e "não sonhar" não é uma loucura ainda maior?
"Mas seu sonho pode não te permitir usufruir da realidade", disse alguém. Mas eu já vivi tão intensamente nesse sonho que me bastou.
Fuga da realidade. Eu sei, os terapeutas de plantão já logo pensam nisso. Acham que eu já também não pensei?!
Mas não foi. Não dessa vez. Acho que tenha sido apenas uma vontade absurda de que fosse real, e por mais que o outro lado não tenha existido, o meu lado é real, foi real.

"A esperança é a última que morre" é o que dizem. Mas a minha morreu e eu continuo de pé. Doeu, sangrei, chorei, mas continuo de pé.
A esperança morreu. O sonho acabou. A luz do fim do túnel apagou. Mas eu ainda tenho a Fé.
E pela Fé (em Deus e eu seu amor), eu sei que a esperança vai ressuscitar, um sonho vai se realizar e a minha luz o túnel vai iluminar.
É só esperar...


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Surpreendente!


A vida é surpreendente!E é assim porque é obra de Deus, e quando a aceitamos como presente Dele ela passa a ter pra nós o significado que tem pra ELE.
Eu sei, tá complicado de entender, né?! Mas tentarei ser mais clara, usar exemplos, parábolas, sei lá.
Quando nos rendemos a Soberania do Pai, de repente, naqueles momentos de fraqueza, naquele momento em que você achava que seria insuportável tamanha a dor se torna leve, estranhamente leve! Porque nesse momento, quando DECIDIMOS confiar, conseguimos dormir no barco no meio da tempestade! Como???
Eu também me perguntei isso há um tempo atrás quando me vi no meio da tempestade (de sentimentos, lágrimas e "nãos"). "Como eu consegui agir assim? Como eu não derramei uma lágrima sequer durante um momento tão tenso? E mais, como eu não me desfiz depois de tantas palavras ditas e ouvidas da forma que ninguém deseja ouvir???"
Aí, o Pai sussurra : "Filha amada". E isso me basta! Quando a gente chega num nível de entrega (a Deus), num nível de confiança no Amor Dele (que é perfeito!)...a gente se torna forte onde era fraca. E como se fosse a última novidade de todos os tempos você percebe que essa simples frase "filha amada" faz toda a diferença na sua vida!
Ser FILHA de Deus e AMADA por ELE me basta! O Amor Dele me dá toda tranquilidade necessária para  enfrentar o próximo dia, o próximo deserto, ou seja lá o que for!
E a frase "DEUS TE AMA, JESUS TE AMA" que tantas vezes ouvimos e até falamos grita no meu coração! E inundada pelo Amor Dele, tudo passa a ter um outro sentido! Tudo passa a ter um outro rumo, um novo olhar!
E aprendo que por mais que o amor por alguém não morra, não esfrie com o passar dos tempos, isso não me faz estúpida, nem injustiçada...porque ELE me amou! Porque DEUS me amou! E sim, fui presenteada sabendo amar alguém de longe, de leve, incondicional (independente da reciprocidade)...
Claro, outro amor virá (espero!) e aí, lá na frente, poderei dizer como é amar tanto, como é somar um novo amor...Lá na frente poderei ter algum discernimento, agora não.
E o mais surpreendente é que não me cobro uma explicação por isso, pacientemente espero, descanso, confio. Confio que o melhor de Deus está por vir!

Rumo ao sucesso mundial! Valeu!

Esse post é atípico mas eu não podia deixar de falar.
Quero agradecer a todos que acessam o Dupla Delícia!♥
...Aos que nunca me viram na vida (a maioria) e se identificam com as histórias, aos que sabem o que é a arte de escrever.
...Aos que gostam de se entreter com as linhas desse blog, sejam os que conheço ou não.
Obrigada também a você que tem uma super curiosidade sobre a vida alheia, seja bem vindo também! Minha vida é um tanto interessante, mas o que escrevo é arte! A arte de deixá-la mais interessante!
Mas entenda: "O poeta é um fingidor.Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente."_Fernando Pessoa.

Obrigada por cada acesso, cada leitura, cada tempo investido aqui! Me sinto lisonjeada!
Só espero que todos aprendam a ler, apreciar, se identificar sem querer ou tentar julgar o que se passa com o escritor. Às vezes, nada se passa. Às vezes, somos só a lente de aumento do mundo para que vocês se enxerguem, para que a gente se enxergue!

Se falo de dor, não significa sempre que meu coração esteja partido.
Se falo de amor, não significa que eu esteja amando, embora o "estar apaixonada" seja uma constante em minha vida. Sou enamorada da vida e pela vida.
Apenas gosto de descrever, dissecar os eventos da vida e transformá-los em detalhes. Porque são os detalhes que mais importam (pra mim)!

Enfim, agradeço que me leiam. Agradeço cada interação de vocês, cada resposta, manifestação de carinho, grito de socorro...(porque a gente passa a ser um tipo de psicólogo também! E acho isso ótimo!).
Amo muito que leiam, observem, SE observem, mergulhem nas histórias, nos textos, mas espero que não me julguem. E se julgarem...fazer o quê?! Continuarei escrevendo, por mim, por vocês.
Sei quem sou, o que faço e julgamentos não me alteram, sorry!(tentativa frustrada!) 

Valeu! É a gente rumo ao sucesso mundial (um pouco mais amplo e mais palpável!)! Aguardem! É graças a vocês que temos ido tão longe! Conto com a sua audiência: você que me ama, você que ama a escrita, você que ama a arte...e claro, conto também com a sua audiência...você que absurdamente e inacreditavelmente não gosta de mim!ahahahahahaha

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Quem sabe?!


Por mais boa pessoa que você seja sempre há aquele momento em que a raiva te visita!
E  o que fazer nessas horas? Ué, sentir raiva. Guardá-la é que não pode! Não se guarda esse tipo de coisa!
A gente guarda coisa boa, bons momentos, bons sentimentos...boas pessoas!
Às vezes a raiva vem porque você acabou de clarear sua mente e viu que "SIM, VOCÊ FOI IDIOTA". Aí vem uma raiva de si, que é a pior delas!
Por um lado é ruim porque essa raiva às vezes nos motiva a tomarmos uma decisão que pode ser errada. Por outro lado, é bom que, pelo menos assim tomamos uma decisão.
Eu sempre sinto frio e meu corpo treme diante de decisões difíceis. Parece que sinto as palavras passando pelas veias, pelo coração e então, meu corpo não suporta o peso de algumas palavras. Principalmente as palavras duras que PRECISO falar. E diante de tanta emoção em erupção, meus olhos choram. Minha alma chora por mais uma decepção.
Mas longe de mim sentir autopiedade! Acho cafona isso. Infelizmente, é normal a decepção, a desgraça, a DES-graça...a graça sendo desfeita.
Raiva sentida. Decepção sentida. Hora de levantar do chão e sacudir a poeira!
Vou deixar de acreditar nas pessoas? NÃO! Vou deixar de amá-las? NÃO! Aí sim, eu seria burra, se permitisse que elas ou as decepções me dissessem como agir ou ser.
Meu SER é feito de doçura, amor, GRAÇA de Deus. As coisas ruins apenas fazem parte do caminho, não de mim!
E mesmo com essa cortina de lágrimas em minha frente, olho ao redor e penso "por que não semear mais amor, mais flores...?! Quem sabe assim as coisas nesse mundo mudem!".

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Vôo sem asas.


Zé era menino 'bão', desses criados no sertão.
Menino de interior, desses que tem valor.
Quando criança enfrentava bicho, animal feroz, noite escura...Era menino valente!
Zé sempre foi criança simples, mas não nas ideias e sim nos ideais. Era simples no coração, mesmo tendo o mundo na mão.

Foi crescendo e aquela cidadezinha se tornou pequena demais para suas ambições.
Com uma mochila nas costas e coragem no peito, ele viajou pelo mundo.
Tanta coisa pra conhecer! Um país diferente. Retornou. Depois uma outra cidade. Se aperfeiçoou, fez faculdade...venceu outro tipo de bicho, outros "animais ferozes", outras noites escuras (dessa vez menos estrelada, porque na cidade grande é assim, não se vê muito as estrelas. Às vezes pela poluição, pela falta de visão ou por descuido mesmo). 
Alguns desses "animais da cidade" o feriram. Essa é a selva de pedra.
DE REPENTE, ele esbarrou no Amor. Se assustou (DE REPENTE, é uma palavra que assusta a Razão, o programado...). E aquela coragem que ele tinha levado junto com a mochila, quando saiu de casa, sumiu.
Ele, que estava acostumado a FAZER surpresas, a estar no controle, foi surpreendido. Como diria Drummond: "E agora, José?".
Zé estava acostumado a enfrentar bicho no mato, desafio na cidade, concorrência no trabalho, mas AMOR???? Amor é arriscado demais pra quem está acostumado a vencer coisas palpáveis, pra quem já está todo programado. Sem perceber, a essência simples de Zé, aquele do interior, havia se perdido.
O Amor lhe 'obrigaria' a inverter valores (ou voltar aos seus valores que hoje só estavam em sua cabeça, não mais na vivência). O Amor lhe obrigaria a mudar um pouco o foco, adaptar programações...e Zé, apesar de ser menino bão, da disciplina exagerada ele não sabia abrir mão.
Com o Amor ele teria que aprender a viver sem ser seu próprio deus, sem chão, sem controle...porque o amor é assim mesmo, é um convite pra voar.
Ele estava entre a cruz e a espada. E ao invés de ir pra cruz e abrir mão de seu "domínio" sobre os dias, ele pegou a espada. 
Mas calma lá! Zé não teve coragem de matar o Amor. Lhe restava ainda aquela fé, doçura e esperança do "pequeno Zé do interior".
O Amor não entendia aquela reação. O menino tinha espaço no coração, tinha todo o necessário para recebê-lo...Todo mundo sonhava com o amor e Zé tinha o encontrado mas não sabia o que fazer.
Não sabia mesmo, porque o Amor não dá pra ser entendido com a razão, deve apenas ser aceito e vivido.
Mas Zé, em sua ignorância, feriu o amor e o abandonou. Foi procurar outro alguém que o fizesse se sentir bem também, mas não extasiado, sentir bem mas com os pés no chão.
O tempo passava e o Amor continuava ali no cantinho, escondido.
Esse amor todo vinha de Ana que também não entendia aquele sentimento todo dentro dela, mas aceitava e se sentia agraciada por ter algo tão incrível dentro dela.

Ana era menina doce, dessas feito algodão-doce colorido (lúdica). Apesar de ter sido criada na cidade grande e ter ganhado o mundo, pra ela o jardim de sua casa é que era o mundo inteiro. Porque era nele que ela tinha as flores, as árvores e os passarinhos.Tudo debaixo dos olhos do Céu, do Sol, das nuvens...da Lua. E essas coisas simples encontravam nela uma profundidade em viver e liberdade em ser. Por ter esse coração, essa simplicidade, essa lucidez absurda de que a beleza está nos detalhes é que o Amor invadiu Ana. É por tudo isso, e mais alguma outra coisa que não se sabe, Ana ainda amava Zé.

Muito tempo depois, quando o sentimento de Ana já tinha adormecido por não ter mais forças, o sentimento de Zé não aguentou mais e despertou. Depois de uma longa e dolorida ausência (ausência vã), Zé apareceu.
Simplesmente apareceu naquele mesmo lugar onde o Amor havia lhe esbarrado. Debaixo daquela mesma árvore.
Ana estava sentada no banquinho quando seu coração disparou. Ela levantou os olhos e avistou Zé lá na frente. E como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse tantos dias os separando,... tomada de alegria Ana correu ao seu encontro. E antes que Zé dissesse qualquer coisa, ela pulou no colo dele e o abraçou com braços, pernas e coração. Embora eles nunca tivessem se declarado, ambos sabiam da existência do amor. Era inegável.
Ele a beijou, confessando assim que havia aceitado o amor. Ana o aceitou de volta mesmo hesitando, porque ela sabia que o Amor é um convite à loucura, um convite pra voar sem asas!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sobre a revolta.

Não aguento gente revoltada! 
Gente inconformada é uma coisa, revoltada é outra. 
Revolta é tão infantil... 
Gente inconformada é exemplo, faz alguma coisa para mudar o que não concorda (a começar pelo exemplo)... 
Gente revoltada é sem razão, sem fundamento, só quer criticar mas é como um espelho aos que ela critica (ou seja, é a mesma coisa!).. 
Gente inconformada tem sabedoria e inteligência. 
Gente revoltada é estúpida, mal educada e não respeita outras opiniões (pois não sabe discordar, acha q pra discordar tem que afrontar, ofender...). 


A rebeldia é tão ridícula, sem propósito, adolescente, maligna... REPENSE. REAVALIE.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mais Atenção.

É preciso estar atento. Sempre.
Um dia a gente abomina uma coisa.
Depois de um tempo, tropeçamos nessa abominação, cometemos o tal erro.
Nos enxergamos GENTE. Justificamos. "Errar é humano".
De repente, nos vemos cometemos o mesmo erro outras vezes. Mudamos a justificativa. "Foi por amor. Foi mais forte que eu. ...É normal, todo mundo faz."
E quando percebemos, a abominação foi aceita e virou rotina. Mas não nos enganemos, o erro, mesmo que justificado, continua sendo erro. E ao cometê-lo algumas vezes se torna desvio de caráter. Um passo para o 'mau caratismo'.
E de repente, viramos mais um nessa multidão que aceita o mal, o desleal, o corrupto...e nem percebemos, porque nossos discursos continuam legais, leais, cheio de princípios. Aí, nasce o fariseu, o hipócrita.
E pior, nasceu em você e você nem viu.
Por isso, é bom que estejamos atentos. Verificar se nosso discurso condiz com nossas atitudes. Se não condiz...NÃO ACEITE! MUDE. VOLTE ATRÁS LÁ ONDE CAIU. RETOME A ROTA CERTA!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Oi mundo!



Nossaaaaa, esse lugar está meio triste e cinza, né?!
Vamos abrir essa cortina, olhar pela janela...Lá fora o dia está lindo!
Já deu! Chega de ficar nesse quarto olhando para o próprio umbigo, porque lamentavelmente é isso que tenho feito. Que ridículo isso! Dá vergonha! Essa coisa de querer se enxergar, se entender é bom, mas precisamos ter cuidado, viu! Pode virar armadilha.
A gente tem que se conhecer para sair e não para ficar.
A gente tem que saber o que se passa para gritar e não para sangrar.
A gente tem sim que tentar entender o mundo do outro e o nosso, mas é necessário encarar o mundo também! Viver lá fora!

Nossa, como eu me enganei! Agora é correr pra aproveitar cada sopro do vento, cada raio de luz, cada estrela (esteja ela visível ou não)...
Mundo, bem vindo ao meu mundo! Espero que me receba bem! E se não receber...não faz mal, hoje já sei que o meu mundo governa tudo aqui fora. Então...mundo, reverencie a "Princesa" aqui!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fraqueza?!



Sim, confesso, às vezes questiono alguns comportamentos meus, algumas formas de enxergar o mundo e as pessoas (com poesia e beleza demais talvez. TALVEZ). E fico com algumas alternativas: 
(   )É muita Fé?
(   )É muito amor?
(   )É Graça de Deus?
(   )Ou é BURRICE???

Não necessito da resposta de vocês. Fico grata pela vontade em quererem participar, mas essa é só uma reflexão pública, o que NÃO QUER dizer que devam interagir, OK?!

Enfim...
Acho que, muitas vezes, a burrice se disfarçou de fé e/ou amor ( e o que era pra ser força se tornou fraqueza), mas na maioria das vezes NÃO! E isso pra mim basta!
O grande problema é que, quando se escolhe agir contrário ao que acham ou esperam,as pessoas não entendem, acham absurdo ou que é falta de amor próprio.
O que acontece, minha gente, é que aprendi diferente. Aprendi a dar a outra face, a andar a segunda milha e isso não é fraqueza! Pelo contrário, é força, muita força! Ou você acha que é fácil agir assim em determinadas situações? 
É preciso ser muito forte e ter muita segurança de quem somos para poder "abrir mão" de "estar certo", abrir mão do "eu tenho razão" (principalmente quando a gente tem!)... 
É preciso muita força para agir com amor quem te trata com indiferença. Mas se eu não fizer assim, que diferença eu faria nesse mundo??? Não nasci pra ser igual, para agir igual, para colaborar com esse sistema doentio e estúpido!
Permita-me explicar o MEU ponto de vista. É preciso explicar (quase sempre! E isso é muito chato pra mim! Mas quando se trata de uma necessidade....).
Agir contra nossos primeiros impulsos não é tão simples às vezes. Muitas vezes dói. Mas acredite, é melhor, porque essa dor é momentânea,é só a dor do orgulho ferido. E orgulho pra quê?! Logo depois sentimos alívio por não sermos governados pelos padrões estabelecidos nem por emoções (que são tão vulneráveis). Sentimos alegria por termos conseguido ser forte!
Essa força vem de um relacionamento com o Pai (Deus). Esse "caminhar" com ELE vai nos mostrando quem somos, quem podemos ser Nele, o quanto somos amados...e isso gera uma certeza. E tendo essa certeza não nos preocupamos em ter que provar que temos valor, que somos "poderosas" e tal...isso se torna pequeno, desprezível...Aí podemos agir como ELE nos ensina: COM AMOR E EM AMOR.

Alguns acham que perdoar, voltar a falar, tratar com amor, lembrar, presentear....é humilhação, é falta de amor próprio, mas é completamente o contrário. É justamente porque ELE nos amou primeiro, aprendemos a nos amar e aí...a amar você.
É claro, que existem momentos que nos falta discernimento e erramos, confundimos (coisa de humano, normal...aceite isso!). Mas no caso de alguém que é alicerçado em Deus, aprenda...na maioria das vezes não é fraqueza! Ele age com amor por força e consciência de quem é!


domingo, 9 de setembro de 2012

A vida como ela é.


Era sexta-feira. Ana parecia feliz (e até estava, só lhe faltavam cores. Cores que, aliás, tinham nome, endereço e telefone). Estava sentada com sua amiga Paula num restaurante conversando enquanto aguardavam o almoço, quando entraram 3 mulheres vestidas (ou não!).
Paula: - Nossaaaa, eu estou impressionada! Como as mulheres hoje não se dão valor, né?! Aquele meu ex tem umas amigas tipo essas daí que acabaram de entrar.
Ana: - Tipo, como? Tipo "piriguete"?
Paula: -É...eu não queria usar esse termo não, mas já que você falou...
Ana: -Nãooo, não fui eu quem falou. Elas que falaram sem dizer nada, só pelo comportamento...infelizmente.
Paula: - É, mas elas são moças de família, eu já vi fotos delas com a família...
Ana: - Hummm, ....deixa eu te explicar: parece praga, né? A gente acha que elas brotam do nadaaaa, mas não é bem assim. Claro, elas têm família!ahahahahahahaha

Ana e Paula eram amigas de infância, não tinham medo do que uma iria pensar do outra. Eram autênticas!
E no meio dessa conversa descontraída, alguém entrou no restaurante. Paula que estava de frente da entrada logo viu, e pela reação dela o coração de Ana já saltou e quase caiu em cima do prato. Rodrigo tinha acabado de entrar. E sozinho! Ele não tinha a visto ainda.
Ana abaixou a cabeça para tentar se esconder, mas parece que aquilo que o coração sente não precisa ser lembrado, não precisa ser mostrado...é reconhecido naturalmente.
-Ana...você?!
Ela levantou apenas os olhos rapidamente e fingindo estar surpresa respondeu sem puxar muito assunto:
-Ah, Oi...quanto tempo! Não quero atrapalhar seu almoço, pode ficar à vontade. Bom revê-lo, hein?!

Paula estranhou a reação dela, tão fria, tão tão...fingida.
-Ana, o que aconteceu? Você nunca o tratou assim! Aliás, você nunca trata ninguém assim! Até pouco tempo vocês eram amigos, e há muito tempo namorados...
-Ah Paula, já deu, né?!
- Deu?! Então por que é que seu coração quase saiu pela boca quando você o viu???
- De onde você tirou isso?! Nada a ver...
- Antigamente você era a primeira a querer falar sobre ele, hoje você evita até olhar pra ele, até falar com ele...
-Tá bom, hoje evito até ouvir o nome dele. Vamos mudar de assunto?!
-Não! Não vamos mudar de assunto. Se esse assunto te incomoda, vamos falar sobre ele.
-Então, quer dizer que agora você virou minha psicóloga?
-Não, Ana...quer dizer que sou sua amiga. Ele está almoçando sozinho. Convide-o pra se sentar com a gente.
-Não. Você sabe que o Luciano está vindo pra cá, e o Lu é um cara incrível e quer se casar comigo.
- Ah tá...e de que adianta ser um cara incrível se ele não tem seu coração?! Ana, eu te conheço, você não consegue se relacionar se não sentir o coração disparar. Pra você não serve ser uma ótima companhia, uma  boa pessoa, inteligente e tudo o mais...Seu olho tem que brilhar, sua mão tem que tremer, a respiração tem que alterar...Você sempre me disse isso! E agora o cara que você AMA está ali sozinho...
-Chega, Paula! Você pode até estar certa, mas você também sabe que eu o esperei por muito tempo, que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para que ele enxergasse...Cansei! Quero alguém que lute por mim, que dê valor à essas coisas que você acabou de falar, de alma, de coração...Se ELE quiser que venha falar comigo!

No meio dessa discussão toda, Luciano chegou. E Rodrigo continuava sozinho na mesa.
Quando Rodrigo viu aquele cara bem apresentável chegar, logo pensou "Perdi Ana".
Paula não aguentou e foi falar com Rodrigo. Conversa vai, conversa vem. Rodrigo finalmente confessa:
- Paula, perdi Ana dessa vez, né?
- Ué, Rodrigo...se ESSA for sua reação, perdeu sim. Mas se você decidir acordar, e lutar por ela...com certeza a história de vocês vai continuar. Mas sua postura precisa mudar!



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tomara que volte!


É ruim, muito ruim quando a decepção se sobrepõe ao amor. Porque o Amor, que tem como essência ser belo, se disfarça, se cobre, e aí ao invés de enfeitar, enfeia.
Ana se olhava no espelho e não se reconhecia. Ela não via o amor. Via somente todas as vezes em que ela insistiu justificar  as maldades alheias, as brincadeiras de mau gosto, a levianidade com que tratavam as coisas importantes...DECEPÇÃO.
Ela havia lutado por muito tempo , mas uma hora teria que aceitar que a decepção com o outro era fruto de sua visão distorcida. Então, a decepção com o outro se transformava em decepção com ela mesma. E ela tinha vergonha de tudo aquilo.
"-Eu não gosto quando o amor se esconde debaixo desses entulhos malditos! O MEU AMOR NÃO! Eu preciso me enxergar, e essa não sou eu!"_ ela dizia.

Mas era muito entulho jogado, era muita poeira, era muito resto de sentimento, resto de consideração dos outros por ela, indiferença, era muita coisa desnecessária que ela aguentava! Se o outro é estúpido, problema dele! Ela não tinha que esperar que ele um dia mudasse! Ela considerava demais o que não deveria ser levado a sério! Ela amava demais e isso se tornou seu defeito. Defeito para o mundo de hoje.

O processo de limpeza começou! Ela começou a dizer o que havia guardado a 7 chaves. Começou a desconsiderar o que ela amava. A decepção com ela mesma foi passando...
Hoje, ela se enxerga um pouco melhor. Se enxerga com amor (como sempre!), mas o amor por alguns ainda estava prejudicado. Isso requer tempo...Um dia, talvez, ela olhasse pra "esse" com o mesmo amor de sempre, mas isso dependeria dele também. Depende de como ele vai lidar com esse amor, como vai cuidar.
Ela não estava mais disposta ...e esse sentimento a atemorizava, pois não se reconhecia nessas condições.
Deve passar. Deve.
Tomara! Tomara que ela volte.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Às vezes as coisas mudam. Às vezes...não.

O dia estava quente, o Sol iluminava tudo. Estava claro, claro até demais.
E quando a luz é muito forte nossa visão fica um pouco comprometida por um tempo...até que nossos olhos se adaptem.
Foi exatamente assim a história de Ana e Rique.
Era quente. O calor do sentimento invadia o corpo rapidamente, e o corpo de um queimava pelo outro. Parecia tudo muito óbvio, a vida deles havia se cruzado como se já estivesse no roteiro. Mesmo que parecesse acaso, coincidência em cima de coincidência...Não era. Esse dia já tinha sido marcado, por isso era tão quente, tão claro, tão...ASSUSTADOR.
Ana teve medo. (Maldito sentimento!). Enfrentou. Eles eram tão parecidos nas coisas essenciais, e tão diferentes nas complementares. Parecia aqueles ditados "a tampa e o balaio", o chinelo pro pé cansado, o príncipe para a princesa... Parecia. Era?! É?
Bom, Rique também teve medo. Porque isso é natural quando você encontra seu complemento (companheiro) tão de repente. Mas Rique não enfrentou. Se conformou, acomodou.
Partiu. Se despediu. Mentiu (pra si e/ou pra Ana).
 "Como isso pode ter acontecido?", você deve estar se perguntando. Essa é uma daquelas perguntas inúteis, sem resposta...
Ana o amou com todas as suas forças. Todas!
Anos depois eles se reencontraram. Parecia que tinha sido ontem a última vez que se viram tamanha a emoção que ambos sentiam. Mas não foi ontem. NÃO FOI. Muita coisa tinha acontecido. Muitos "nãos" Ana tinha ouvido.
Rique agora estava preparado pra aquele amor. Mas como eu já disse, ANA o amou com todas as suas forças. E suas forças...haviam acabado. Como ela lutou! Como ela esperou por aquele momento! Ela aguentou ele ter se relacionado com outra pessoa! As esperanças dela pareciam não ter fim. Mas tinham. E eles tiveram uma última conversa:
 -Ana, eu sei que errei muito, errei por não acreditar em nosso amor, errei por fazê-la esperar tanto tempo, ...Me perdoe. Eu quero continuar nossa história, que aliás nunca deveria ter sido interrompida. Quero que seja minha mulher...
Ana, com os olhos brilhando por estarem cheios de lágrima, respondeu:

 -Rique, não pense que é vingança, nem pirraça...Mas cheguei no meu fim. Tudo que você me disse alegando ser sincero,...tudo que você não fez, alegando ser "inteligência emocional"...tudo isso, querendo ou não, teve um peso. Você me feriu sem medo algum de me perder. Não dá mais! Você rasurou nossa história como se eu fosse um simples papel...Sim, eu sou forte, mas sou humana. Mesmo que eu pense que você é o homem da minha vida, HOJE, eu não quero mais. Eu não aguento mais![...] Eu aceito seu perdão. Está perdoado. Mas você errou ao achar que eu iria esperar pra sempre... 

-Mas, Ana...eu te amo!

-Como eu desejei ouvir isso, como eu desejei!!! Eu sempre soube desse amor, você é que não sabia. 

-Então...! Agora eu sei! Eu te amo, Ana, como nunca imaginei que fosse possível! E é muito estranho isso pra mim,...esse sentimento todo! Sempre me julguei sensível, corajoso, inteiro...Tente me entender!

 -Rique, eu tento te entender há anos! Agora chega! Agora é você quem tem que me entender! Por que você não confiou no meu sentimento? Não confiou no seu sentimento? Você fez eu me sentir mal, estúpida, ...me fez acreditar que o que a gente viveu foi mentira! Não consigo mais... 

-Mas...você me ama também! Eu sei disso!

-Amo, AMO MUITO, nunca neguei.

-Então vamos ficar juntos!

 -Me entenda, por favor. 'Não piore as coisas...'(ela usou as palavras que ele tinha usado anos atrás)

-Eu vou lutar por você, vou te reconquistar!

 -Você, lutar? Faça o que achar que deve fazer...Só não pense que minha resposta hoje é por maldade. Não é. É justamente por querer ser boa comigo mesma e ter cansado de lutar sozinha. [...] Bom, tenho que ir.

Ana parecia determinada em sua posição, apesar de ir embora aos prantos.
Rique jamais esperou essa reação de Ana. Ela sempre foi tão compreensiva...
Mas ele sabia que dessa vez o erro era dele, e decidiu abrir mão do orgulho (inútil) para reconquistá-la. Ele sabia que poderia não ser muito fácil, mas ele havia amadurecido, tinha virado HOMEM...e HOMENS lutam pelo melhor ao invés de abraçarem o mais fácil. Ele sabia que o destino deles havia cruzado não por acaso, mas por PRECISÃO, por PERFEIÇÃO.

domingo, 26 de agosto de 2012

Uma dose completa, por favor!

Eu quero sinceridade COM gentileza! A sinceridade com grosseria não dá, e gentileza sem verdade também não....Uma dose completa, por favor!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pesadelos em SONHOS.


Liz era sempre questionada devido a sua forma de encarar algumas coisas. Alguns a chamavam de boba, pois ela agia de forma inesperada, amável com quem já tinha a machucado de alguma forma. Mas ela não ligava com o que diziam. "Muitas vezes nos ferem sem ver, ou nos ferem porque permitimos"_ela justificava. Essa era ela!
Não, ela não era tão tapada assim! Sabia sim dizer não, ouvir NÃOS, dizer verdades, enfrentar monstros! Mas depois... ela transformava os "nãos" dados em consolo, os NÃOS ouvidos em força, as verdades ditas em estímulo, os monstros...ahhh os monstros  não existiam! Os monstros eram imaginários e ela simplesmente usava a Fé para vencê-los.

E dia após dia, Liz ouvia críticas sobre seu modo nada egocêntrico de ser, mas nada alterava, e ela continua transformando pesadelos em sonhos. É o que escolheu fazer.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Saída.


É, na vida real alguns lugares tem uma placa bem visível e luminosa escrito "SAÍDA". Como seria bom se existisse essa mesma placa no coração, na alma...! Seria tão mais fácil! Mas também seria desumano, né?! Essa coisa de NÃO SER ROBÔ numa sociedade treinada pra responder em MASSA, e completamente robotizada é um desafio e tanto!!!
Ana lutava diariamente para não cair nas armadilhas desse mundo egocêntrico, onde o dinheiro é senhor e quase tudo é prostituído. Não se escolhe mais o trabalho pelo dom que têm, pela vocação, pela vontade...escolhe-se pelo dinheiro. Não se escolhe mais a pessoa que vai estar ao seu lado por paixão, amor...escolhe-se por conveniência, pelo que é mais fácil, mais prático, mais cômodo! PROSTITUIÇÃO! Isso é prostituição! É valor adulterado! E sabe o que é pior? Dizem que é normal!
NORMAL? Em que mundo isso é normal? No mundo em que o  EU é reizinho idiota e não pode se esforçar, não quer pagar o preço, não quer pensar...apenas reproduzir, ficar no relacionamento raso onde ninguém se conhece profundamente. Só nesse mundinho isso é normal!

Ela se indignava com o "caminhar da carruagem"! E se odiava por alguns segundos quando percebia que havia tropeçado e se sujado com esse mundinho.
Às vezes, ela achava que seria mais fácil (realmente) agir como a maioria, mas ela não conseguia, era muito contrário ao que ela pensava e cria!

Ana amava um grande homem. (claro, uma grande mulher só poderia amar um grande homem!...falo de coração). Mas esse grande homem, por falta de conhecimento, machucava Ana ao agir como a "massa". Ao  se permitir se contaminar com algumas coisas. Mas Ana acreditava na essência dele, ela tinha fé e esperança de que um dia aquela doçura explodiria dentro dele e transbordaria! Porque era isso que ele tinha no íntimo...doçura!
Ela desejava aquele homem, mas o desejava inteiro, e inteiro ele não sabia ser. E ainda assim, Ana o amava (embora nunca tenha assumido isso à ele. Ela achava que ele não entenderia um amor assim...de graça!).
E em seus momentos em que o amor gritava e o desejo saltava, sem saber o que fazer, ela acabava se atrapalhando. Cedia aos encantos dele, mesmo não o tendo ainda. É, é exatamente isso, não tem lógica alguma ela fazer isso! Mas alguns dias ela se permitia ser humana, embora se arrependesse profundamente depois de sua "humanidade" toda que havia se transformado em fraqueza.
Ana não sabia mais o que fazer! Não queria agir friamente e racionalmente como a massa manipulada, mas também não podia agir tão amorosamente assim nesse mundo! Amor, na visão dos racionais, pode ser encarado como loucura! E pelo menos de uma coisa ela tinha certeza: LOUCA ela não era! Ou seria?
Talvez louca sim, por encarar o mundo de frente, sem armas, sem maquiagem, sem mentiras...Apenas com sonhos e amor no coração. Mas ela acreditava na sua luta, acreditava naquele grande homem....acreditava naquele amor todo. E mais, acreditava que tudo isso junto seria sua família: depois de vencer a luta da razão rasa, o amor gigante por aquele homem sortudo (sim, ele tinha muita sorte!) os envolveria, ele a amaria (como já ama! Simplesmente, permitiria) e juntos escreveriam UMA história. E juntos mudariam muitas outras histórias através da força da Fé em DEUS, e do AMOR (que vem Dele) e vence tudo!
Por isso, acredito que a placa de SAÍDA no coração é AMAR. Não há porta de fuga, não há escapatória...A saída da alma é ter coragem e assumir.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Se fosse com VERDADE....


E mais uma vez ela usava toda sua força para guardar o coração em seu devido lugar e evitar que ele saísse pela boca. EXAUSTÃO.
Se encontraram como bons amigos, mas cada vez que ele encostava nela, ela precisava usar mais força ainda, pois precisava controlar o corpo.TENSÃO. TESÃO.
Mas ela mantinha toda concentração, falava pouco, escolhia as palavras...preferia só olhar. (o grande problema é que o olhar dela falava mais alto que as palavras!)
Ele estava tranquilo. Sabia que estava no poder da situação. E também estava no território dele, e quando estamos no nosso território somos REIS (ficamos mais confiantes, mais livres...).
Anoiteceu. E a noite, vocês sabem, traz mistérios, coragens,  e coisas do tipo.
Ambos resistiam, mas não deu. Quando perceberam já estavam entrelaçados. Uma ótima experiência! Parecia tudo novo, inédito! Adormeceram. Dormiram enlaçados até o sol raiar.
Mas quando acordaram, ele tinha um vazio no olhar. A coragem foi embora. Nem um beijo de bom dia.
Aí que ela percebeu,...era o fim do teatro.
Você pode pensar "foi uma noite linda, incrível!". Seria lindo sim, se tudo isso tivesse acontecido COM VERDADE. Mas como não foi, não pode entrar para as melhores experiências da vida. Mentiras não entram nessa gaveta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sobre a ilusão.

Tem coisa que é melhor a gente ACHAR do que ter CERTEZA.
Exemplo: é melhor achar que o cara gostou de você do que ter certeza que não!
Ilusão seja bem vinda!

Sobre a decepção.


Decepções não são de todo um mal.
É sério! Não estou querendo justificar. Ou estou?
Elas podem ser proveitosas. Servem como um DE REPENTE.
E DE REPENTE tudo muda.
DE REPENTE o que você imaginava que era, não é; e o que você sentia...escorre junto com o choro. DE REPENTE a pessoa que você gostava tanto despenca e mesmo se ela quisesse, você não a quer nem pintada de ouro!
DE REPENTE você enxerga mais nítido, as escamas caem dos olhos e você vê que de tudo aquilo que você achava que alguém era, era apenas 40% era verdade. E 60% de mentira te alivia... SIM, porque se a tal pessoa tinha um peso 100 na sua vida, se você o considerava 100%, agora não mais. Agora o tamanho que ele ocupa é proporcional a verdade que ele é.
E é engraçado (ou trágico), mas, muitas vezes, precisamos que a decepção nos visite com uma certa frequência para não idealizarmos ou sonharmos demais.
É, decepção com o outro. Decepção comigo mesma.
A primeira é necessária, a segunda...vergonhosa. E a gente sente vergonha de um dia ter dado tanto crédito, tanta confiança, tanto valor às pedras... Sente vergonha de ter que precisar se decepcionar com o outro para despertar.
Essa, a decepção comigo mesma, essa não era necessária. Essa que dói mais, e a gente fica com vergonha de encarar o espelho, de lembrar do que foi dito, do que foi feito... tudo em vão.
Ainda bem que passa.
Decepção com o outro é um de repente.
 Decepção com a gente mesmo...Bom, ainda bem que passa.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Estrada.

A vida é como uma estrada, a gente sempre sabe que vai dar em algum lugar.
Alguns seguem sem rumo, simplesmente seguem. Às vezes a gente até tem um rumo, mas antes de chegar no tal destino há um caminho a percorrer. Há outras cidadezinhas na estrada, e isso pode nos fazer atrasar ou perder o destino de vista. Porque se nos encantamos além da conta com as pequenas cidades corremos o risco de ficar mais tempo nelas, e com isso, o destino fica pra mais tarde.
Não que as cidadezinhas sejam ruins, são até NECESSÁRIAS, mas são apenas parte do percurso. Não merecem toda nossa atenção, dedicação,...Aliás, geralmente essas pequenas cidades são lugares de passagem mesmo, é só pra descansarmos e ganharmos fôlego para os próximos passos.
Eu sei, você sabe, há trechos na estrada que são medonhos, desertos....Olhamos para o lado e não há uma "ALMA VIVA", é só você e Deus. Esses trechos parecem demorar mais, os segundos parecem não andar. Mas continue, continuemos....a estrada sempre dará em algum lugar.
E quando passarmos pelas cidadezinhas, que saibamos que foram apenas para nos abrigar por uns minutos. Não vamos idealizá-las, cedo ou tarde a decepção vem, e a cidade que achávamos que era o Céu, em poucos minutos se transforma no inferno. E onde era pra ser abrigo passa a ser tormento que te leva do Céu ao inferno por questão segundos, por questão de...REALIDADE.
Porque é apenas isso, esse tormento todo, é apenas a realidade nua e crua diante de nossos olhos. Sem maquiagem, sem perdão excessivo, sem desculpas, sem truques.....
E olha, quando a decepção vier, chore, grite, expulse-a de dentro de você e "Keep Walking". Lembre-se, foi só um lugar que recebeu de você uma atenção indevida, e o Destino está te esperando.

sábado, 28 de julho de 2012

Tempo que volta.

Às vezes o tempo quer voltar e a gente não sabe o que fazer. Porque o tempo,...o tempo não volta. Ou será que isso é mais uma invenção do homem??? Aí, o medo fica me rondando, querendo que eu acredite que ele (o tempo) vai passar mais uma vez de forma displicente, e a pessoa que vivia NESSE TEMPO vai apenas se divertir novamente. Mas, como eu não faço negócio com o medo, dispenso-o logo! Me resta a crença de que o tempo volta. Tempo...isso sim é coisa que nós, humanos, inventamos. Então, pra quê querer limitar as mil e uma impossibilidades...Impossível, improvável, tempo...palavras grotescas que usamos para justificar covardias, medos, e mais um monte de paranoias!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Boa noite

Hora de dormir, de sonhar, de viver nesse outro lugar onde tudo é possível, até voar!Me deixe navegar por esses mares onde as tempestades não me assustam. Permita-me usufruir da realidade do sonho. Sim, eles são reais, afinal de contas, eu os sonho! Beijos (reais ou não).

O outro lado.


E hoje estou mais uma vez do outro lado da história. Do outro lado...
Estive algumas vezes (como todo mundo!), mas não sei porquê agora é diferente.
Agora está mais constrangedor...
Eu apoio e defendo o direito de todos se expressarem, de lutarem por quem estão apaixonados, por isso, não me queixo se o cara liga, insiste...Ele está no direito dele! Lembrando que o direito dele termina quando começa o meu. Por exemplo, eu acho que CIÚMES é uma coisa que alguém que você não ama NÃO tem o direito de ter. Cuidado de quem você ama é bom. Mas ciúmes...PACIÊNCIA ZERO.
Eu que, durante muito tempo, estive aqui me declarando ao vento, amando sozinha...hoje estou sendo amada sozinha, sem a tal reciprocidade. Eu não sei o que é pior pra a pessoa: se é eu deixá-lo tentar me conquistar (que é algo extremamente difícil) ou se é falar NÃO logo de cara! Se eu permito que ele tente, estou dando a ele o direito de me amar, mas ele pode se sentir fracassado depois, usado...sei lá! (caso não consiga me despertar). E se eu falo NÃO logo, ele acha que eu não estou deixando ele tentar... E pra mim, as duas opções são drásticas, aí fico em crise, agoniada...porque sei onde está meu coração, e tentar gostar de alguém por conveniência, para ter alguém ou qualquer outra coisa que não seja AMOR, me soa como covardia e imaturidade por não querer ficar sozinha.
"Antes só do que mal acompanhada", pra mim, essa frase diz o seguinte: melhor sozinha do que acompanhada de mediocridade, seja sua ou de outro. E mediocridade, nesse caso, é estar com alguém por estar, porque "foi acontecendo" , ao invés de estar com alguém por AMOR, POR DECIDIR, POR QUERER ESTAR COM ESSA PESSOA...SEMPRE!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Minha história.

Sabe, eu queria olhar para um cara legal e simplesmente ver o cara legal, mas não consigo!
E o cara todo disposto, amável em algum momento me faz lembrar de você. E quando você aparece na minha mente, meu coração não mente.
Ahhh, eu só queria beijar esse cara legal que quer se casar comigo e me sentir num outro mundo. Num mundo em que você não exista! Mas eu não sei o que é isso que quando vou acarinhá-lo não o vejo, vejo você. E nessa hora eu o amo com toda intensidade, mas aí abro os olhos e desperto. Não é você. Me bate uma angústia depois.
Mas eu insisto, tenho que insistir! Você já virou platônico e eu, idiota.
E sabe o que é pior? Quando eu insisto com ele, além de me sentir idiota por amar você, me sinto infiel e desleal com o que sinto. Me sinto traindo você e isso me dói.
Eu não quero nem nasci pra me relacionar com alguém legal, que me faz bem e tal...Eu preciso amar. Eu preciso sentir o coração saindo pela boca, a razão sem chão...Eu preciso de inspiração pra escrever histórias, pra escrever MINHA história.

Preciso escorrer.


Acho que eu já disse tudo.
Tudo que eu tinha pra dizer. Agora, escrever sem falar não faz sentido. Por isso a pausa.
Tenho tentado levar uma vida de forma comum, e não sendo comum, é difícil pra mim.
Complicado levar uma vida sem coração. Mas percebo que às vezes é necessário, embora como disse sabiamente um amigo: "Nem que você queira viverá de maneira comum. Não lhe é permitido. Afinal, você mesma não é comum. É rara, incomum. E como pode um ser raro querer viver uma vida comum? CONTRADIÇÃO!".
Pois é, viver uma vida comum é um mal necessário que não me é permitido. Talvez seja essa minha agonia.
Agonia de SER RIO que corre mas ao mesmo tempo ama cada percurso percorrido, e por amar demais tenta represar. Mas o rio está transbordando, já guardou e se encheu por muito tempo...Precisa escorrer. Preciso escorrer.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Tão Clara! ( parte final)


O inverno já durava mais que uma estação, e Clara continuava com sua mania de enfrentar o frio, a falta de flores, a ausência de calor....tudo sozinha, até que aprendesse a lidar com aquilo tudo.
E o cara que havia esbarrado nela ainda a observava curioso.
Como já era parte da rotina de Clara, no entardecer ela foi andar pelas ruas. Dessa vez levou um caderno e um lápis. "Já são companhias suficientes"_ela dizia, mas sabia que não eram. Suficientes não!
Achou um lugar que parecia um pouco mais deserto, e ao mesmo tempo a protegia um pouco do vento gelado. Parecia um galpão abandonado.
E como terapia, começou a escrever sobre Pedro (aquele feito pedra!). E ela começou a entender que pra ele foi só uma brincadeira, ela que havia interpretado errado, levado a sério demais. Ela entendeu que na verdade, ela não entendeu nada do que viveu com Pedro. As coisas começaram a clarear, a neblina começou a se dissipar. "Gente, era uma coisa tão cotidiana pra ele e eu dei tanta importância! Como pude??? Foi uma coisa tão rápida e dei uma dimensão de eternidade...tsc tsc tsc"_ela falava sozinha, concluindo seus pensamentos. E cada descoberta era um tijolo a menos no mundo irreal que ela havia criado, cada conclusão dolorida deixava o personagem principal de suas historinhas cada vez menos palpável, mais transparente...quase um fantasma. "E fantasmas não são bem vindos, obrigada!".
Ela estava concentrada, de cabeça baixa escrevendo e nem percebeu que o cara que a flagrou rodopiando estava sentado ao seu lado.
-Moça, eu...
Clara olhou assustada pois não esperava ninguém. E ele continuou: "-Eu estava observando-a há alguns dias, dias que mais parecem décadas pois já considero-a familiar...
-Você, me observando??? Ou você é um bom observador ou eu estava distraída demais, pois não percebi.
-É, acho que as duas coisas. Mas no frio a distração é normal, a gente se concentra para se aquecer, para esquecer, pra permanecer...e não sobra foco, às vezes.
-Hum....parece uma boa teoria. Quem é o dono da teoria?
-Pois é, esqueci de me apresentar! Meu nome é Bento. E....qual é o nome da inspiração de minha teoria?
-Clara! Clara de corpo, alma e nome.
Eles riram, conversaram como se fossem amigos há anos. E Bento aquecia Clara. Não de corpo, mas de alma. Ele conseguiu trazer o verão pra dentro dela. Faltava pouco para que o verão chegasse como estação também. Porque a vida é assim, a gente conduz as estações.
E em poucos dias eles SE precisavam, não por necessidade, mas porque gostavam de estar juntos. Uma necessidade disfarçada de querer. E eles queriam. Queriam se descobrir, se "des- cobrir"... Mas Clara, que já havia levado ZERO na "interpretação de texto" na última prova temia acreditar em qualquer vírgula que fosse. E aprendeu com Pedro a levar tudo na brincadeira. E Bento agora teria que ensiná-la, reeducá-la.
Cada promessa dele, ela ria. Cada declaração, ela se calava. Não tinha o que dizer. Ela não sabia o que pensar.
-Clara, tenho que ir, mas volto em poucos dias.
-Como assim?
-Eu moro na Capital Federal.
-Que ironia! Então não....você não volta. (era a mesma cidade de Pedro que se foi...)
-Lógico que volto! Estou te dizendo!
-Dizendo?! Desculpe mas...dizer é tão vago. Não quero que fique chateado, é que não consigo mais acreditar assim tão facilmente. Homens gostam de brincar, de tirar o melhor do momento com a justificativa de VIVER...O problema é quando o momento envolve pessoas. Comigo vai ser complicado.
-Eu descomplico.
-O buraco é mais embaixo, Bento.
-Eu me arrasto se for preciso.
-É, tem que ter disposição.
-Eu tenho. Será um desafio.
-Ok. Desafio aceito.
E mesmo com toda essa conversa direta, aberta, Clara ainda temia.
-Mas você mora lá...
-Não interfere em nada, Clara! Faz é aumentar minha vontade de estar com você. E daqui uns dias te levo comigo.
Clara riu. O inverno passou. Já era primavera. Não só Bento, como o Céu, a terra também lhe davam flores. Toda neblina foi embora e Clara viu CLARAMENTE que o conhecido ditado é verdadeiro: "quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa."




terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobre os artistas.


As pessoas admiram artistas, mas não entendem, não aceitam...e não se permitem amá-los.
E confesso, admiração sem amor não faz sentido.
Só uma alma livre e disposta para amar sem explicação.
Ainda bem que sempre há exceções.

domingo, 8 de julho de 2012

Tão Clara!


Há algum tempo o inverno havia chegado. Dias escuros. Noites densas.
Mas ainda assim Clara resolveu dar uma volta pelas ruas desertas (no frio as pessoas se escondem). O vento cortava de tão gelado, mas Clara queria aprender a viver na frieza. Ela precisava aprender a caminhar mesmo nos dias doídos.
Não, não era promessa nem martírio. Era apenas uma urgência de sobrevivência.
Sua casa estava cheia de gente, mas ela estava cansada. Cansada de ser exemplo (ela queria o direito de errar), cansada de ser educada (ela queria o direito de gritar!), cansada de seus próprios erros e defeitos, cansada do ciúmes dos que a rodeavam (ela não suportava o peso de ser amada daquele tanto! Sim, era bom, mas ela nunca soube lidar com ciúmes, principalmente de familiares, lidar com cobrança é desgastante...e ela, ela era rio que corria, desaguava, fluía...e ciúmes a prendia, sufocava, irritava! Só admitia ciúmes do amado, e olhe lá!).
Ser a alegria e força de muita gente estava deixando-a pesada. E ela era rio, mas também era vento leve, e vento quando fica  pesado vira tempestade. E tempestade ela não sabia ser.
Por tudo isso, e mais umas coisas que ela não contava, Clara andava sem rumo pelas ruas naquele inverno que já durava muito tempo.
Sentou-se no meio-fio, pernas juntas, queixo sobre os joelhos. Olhava cada detalhe que estava ali, lembrava de cada detalhe que estava lá...lá na memória do coração. E quando ela lembrava, sua memória trazia o Sol, aquecia e Clara ria sozinha. Nesse memória que a esquentava, morava Pedro (feito pedra!). Pedro sempre soube fazê-la rir ainda mais que o normal, e agora ele só habitava em suas lembranças, em cada olhar de Clara. Eu disse SÓ?
Mas até disso Clara estava cansada. Das lembranças. Por isso permanecia exposta à toda aquela frieza, exposta ao vento congelante...Quem sabe não congelaria e destruiria esse lugar surreal que ela havia criado na memória?!
Num desses dias em que ela estava caminhando e girando com os braços abertos livremente no meio da rua, alguém a observava. Nos dias de frio onde todos desaparecem alguém a notava e ela nem percebeu. E cada giro que ela dava  a deixava mais tonta porém mais lúcida para as coisas essenciais. O mundo girava e ela conseguia ver tudo passando na sua frente. Pessoas queridas, viagens, momentos, pessoas não queridas, ...e as coisas que não tinham raiz despencavam pouco a pouco. E seus rodopios ficavam mais leves, mais musicais, mais sensoriais.
-Ops, perdão!_ ela esbarrou em alguém. Também, né, já estava tonta!
-Não foi nada. Eu que peço perdão por interromper esse momento raro de se ver no mundo, essa liberdade e coragem.
Clara deu um sorriso de alívio, pois tinha esbarrado em alguém que não a julgou, pelo contrário, leu-a. Baixou os olhos meio sem graça e o olhou novamente. Ele ainda a olhava. Ela que sempre foi a observadora, agora estava sendo observada. Mas sem preconceitos, apenas observada.



[continua...]

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Paro.

Ando cansada. Aliás, nem sei se ando. Só sei que cansei.
Acho que vou parar por aqui.
Tem sombra? Alguma pedra pra eu me encostar? Alguma flor pra me acariciar? Meu olhar já não consegue distinguir o que há.
Parei.
Acho que preciso descansar. Pensar, voltar a sonhar...pra depois voltar a caminhar.
Porque do jeito que estou já não dá. Sem magia, sem graça, sem um amor...Ah não! Não tem cor! E não tenho vocação pra cinza.
Vou ficar quieta por um tempo, acalmar a alma. Meu corpo pede calma.
Aí quem sabe, voltar a ouvir os sussurros das árvores, a música do vento, o abraço caloroso do Sol. Tempo. Calma. Fé. E tudo volta a ser o que sempre foi, o que é.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Reciprocidade.

Reciprocidade deveria ser obrigatória, né?! Seria mais justo e digno. Mas quem disse q o mundo é justo? Digno então...
Seria tão mais agradável se ao sorrirmos nos sorrissem de volta. Com verdade, genuinidade.
Seria tão mais confortante se ao chorarmos nos abraçassem. Com vontade, sinceridade.
 Seria tão mais fácil se a gente caísse e tivesse pessoas dispostas a saírem de seu "EU" e estendessem a mão.
Seria tão incrível se ultrapassássemos a tal reciprocidade (quando deparadas com sentimentos não legais). Aí seria desconcertante se nossas reações sempre envolvessem o amor, porque assim, se alguém te odiasse você simplesmente lamentaria e, mesmo que de longe, o acariciaria. Assim, a frieza, indiferença, egoísmo...e tudo que é desumano acabaria. Será tão sublime se, a gente  amar pessoas, e elas valorizarem o amor, e por assim ser...nos amarem de volta. Será, será sim.
É...porque amar é muito bom, mas melhor ainda é SABER e sentir esse amor de volta também.

Nem tudo é dito.

Das tantas coisas que eu disse o que é real e o que é poesia? Por que tentam colocar essas duas coisas como opostas? Minha realidade é poesia, minha poesia...realidade.
Poesia é só minha forma de ver, é só o filtro de amor que uso para enxergar a realidade.
Às vezes me canso de dizer e eu queria expressar tudo que sinto e vejo sem ter que explicar, sem ter que falar. Mas quase ninguém entende o que não é claramente explicado, justificado. Como se houvesse justificativa para as coisas importantes!
E é isso que me abala, saber que querem explicações lógicas para as coisas importantes. Coisas importantes...Ou, que ao menos, deveriam ser.
Por exemplo, a alegria de realizar o trabalho tão esperado! Não, isso não tem como descrever.
A satisfação e sentimento de plenitude quando se está com o filho no colo.
O amor...Ahh o amor! Quem me dera se a pessoa amada captasse toda intensidade que sinto sem eu ter que gritar, escrever ou sei lá o quê.
Quem me dera se a pessoa amada percebesse e assumisse que percebeu. É, porque tem gente (pouca gente) que consegue ver o invisível, tocar o abstrato mas não nos falam que sabem, deixam-nos sem resposta pra esse amor (nem que seja um "eu sei"). Desfrutam de nosso amor sem ao menos dizer "obrigado".
O grande problema é que quando não sabemos como reagir diante do sublime (do amor), não reagimos, e isso causa na outra pessoa uma sensação de indiferença. E como a indiferença dói, machuca! É como se todo amor que sentimos fosse inútil. E não é. Eu sei que não é.
Tem dias que penso em parar de escrever, descrever. Mas se não entendem nem quando é escrito, quanto mais se não for dito! Aí, por amor, por amar volto a falar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Meninice do amor.


A vida é muito engraçada, né?!
Um simples sentimento nos deixa tão embasbacado. E quando estamos diante da pessoa que desperta o tal sentimento, toda nossa maturidade vai pro chão. Ainda mais se ele tenta pegar na minha mão! (no meu caso).
E a gente marca um encontro e já planeja como reagir diante das possibilidades, o que responder diante das possíveis perguntas. Mas se ele vem com algo novo, inusitado....o planejamento da naturalidade vai por água abaixo. Ainda mais se esse "algo novo" for uma "denúncia" palpável contra você mesma, uma descoberta... Uma descoberta tipo...tipo o cara descobrir que você o ama!
Nesse momento toda meninice ressurge num piscar de olhos e a gente fica como se tivesse só vento na cabeça! Não consegue reagir, aliás, não pode reagir, e sem permissão para reagir naturalmente e gritar tudo que sente, a cabeça enche de mais vento ainda! E a gente fica boba, passada, estacionada, assistindo o encontro, e depois que passa quer falar tudo, fazer tudo! Enquanto no momento em que você está lá diante do grande amor de sua vida, você mal consegue encara-lo de tanta vergonha. Coisa de criança que quer fugir do que sente (e como eu quis fugir! Só Deus sabe!)! Coisa de criança que tem medo de mais uma rejeição, tem medo de ter que engolir mais um NÃO. E pra não ter que passar por isso, a gente não olha, não enfrenta. Quanta covardia! Até ontem eu era tão madura e corajosa. Hoje me sobrou uma menina covarde!
Por isso que falo que a vida é engraçada. Esse caminhar da vida, essa coisa de um dia a gente ser forte e no outro tão frágil. Acho que só me enganei quando falei que era um sentimento simples. Simples, o amor?Será?