Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Não há ninguém.



Hoje, ao acordar, ela saltou da cama com muita leveza. Uma leveza que não sentia há tempos.
Espreguiçou, deu "Bom Dia" à todo mundo (leia-se pássaros, Céu, SOL, Jardim...) e ao dar o primeiro passo estranhou. Estava tudo tão solto, leve.
Andando pela rua todos a olhavam, o moço do supermercado que já a conhecia perguntou o motivo de tanta alegria. A vizinha deu indiretas de que ela estaria apaixonada.
Mas não! Muito pelo contrário, não havia ninguém. E era isso que a deixava tão inteira. Ninguém havia lhe roubado o coração sem dar o pedaço dele. Ela agora tinha reconquistado seu próprio coração e ele estava inteiro!
Ela já não carregava ninguém 'em especial' dentro do coração. Achou aquilo tudo muito esquisito, ela já tinha se acostumado a carregá-lo. Não que ele fosse um peso, mas quando se carrega alguém no coração, esse alguém deve nos carregar se não o peso fica injusto e a gente além de se carregar tem que levar o outro.
Mas hoje não. Hoje estava diferente.
Ela riu procurando vestígios dele, mas quando se lembrava do passado, tudo parecia tão fantasioso, tão irreal, tão distante.
A vida tem dessas coisas, com o tempo ( e a não constância ou cuidado dos que estavam na história), as histórias de amor passam a ser de humor. As cartas apaixonadas passam a ser ridículas. O OUTRO, antes supervalorizado, passa a ser incompreendido.

E hoje ela tinha terminado a lição, aprendeu a esquecer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Há algo mais importante que entender.



Muito se fala das palavras que machucam, dos gestos que doem, de frases que ecoam por muitos anos.
Mas esquecem de dizer que o silêncio errado machuca ainda mais, pois não se tem como pegá-lo e jogar fora. É abstrato demais.
Falam do que se fez, do que se diz mas esquecem de citar as ausências de um gesto qualquer, o abraço que não envolveu, a mão que não estendeu...essas "ausências" que destroem mais que um empurrão ou um LEVE confronto corporal.Esquecem do que NÃO SE FEZ.
Falam das frases tristes que ficam ecoando dentro da gente por um tempo, mas esquecem de falar das belas palavras não ditas que ficaram no caminho por falta de coragem e nos agonizam. Esquecem de falar das palavras não verbalizadas mas muito bem (ou mal) expressadas num olhar de desprezo. Esse tipo de olhar corta qualquer boa lembrança ao meio.
Alguns dizem que pelo menos no Beijo não tem como mentir ou machucar alguém. Engano. Judas traiu Jesus exatamente ao dar-lhe um beijo no rosto. E muitos traem, machucam, desprezam com um simples beijo.

Penso que, não é a palavra dita ou não dita, não é o gesto ou ausência dele, não são as frases que ecoam que importam tanto. É o perfume que essas coisas trazem, é a essência que importa. Alguns machucam querendo amar, outros abraçam sem tocar, alguns dizem adeus querendo ficar, outros dizem que amam mas não pretendem eternizar.

Muitas vezes nunca vamos entender o motivo que nos feriram ou que ferimos alguém. Há de perdoar-se e perdoar o outro e prosseguir. E mais, não simplesmente prosseguir, mas prosseguir amando. Porque amar é mais importante do que entender.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Disposição pra nada.

Hoje acordei toda disposta à coisa nenhuma.
É, sabe quando você está disposta a fazer qualquer coisa que não seja nada?!
Confuso? É isso mesmo.
Disposta a fechar a porta que não existe, disposta a dizer 'não' ao que nunca esteve presente, e dar boas vindas ao que ainda não chegou.
Disposta a abrir meu coração ao real (por mais esquisito que seja), disposta a chorar pelo que nunca existiu, e me alegrar pela poesia presente em tudo.
Abri os olhos e me vi disposta a prosseguir minha caminhada mesmo com a mente cheia de você, mesmo com o coração pesado de tanta falta sua. Acordei disposta a abandoná-lo pelo caminho...Acordei disposta a não te defender, por mais cruel que a realidade possa parecer.
Disposta a dizer ADEUS, porque o "até logo" é pouco, é temporário, é finito.
Acordei com uma disposição pra ser indiferente, fria e desumana.
Mas quando me levantei, toda essa disposição caiu no chão e eu não pude ignorar meu coração.
Juntei, sim, tudo que não presta e joguei no lixo.
Pode não ter sobrado muita coisa, mas sobrou O MELHOR.
O melhor de mim, o melhor dos dias, as melhores horas, o melhor de você.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre os bêbados.

Ahhh eu amooo gente que tem coragem de ser feliz loucamente permanecendo sóbria!
A covardia da bebida excessiva me decepciona um bocado.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vai passar,

Não acho bonito demorar tanto tempo pra me "desfazer" de alguém.
Não acho nem um pouco gostosa a sensação de idiota durar tanto tempo.
Não acho encantador sentir saudade, muita saudade, de alguém depois de um ano. Um ano de ADEUS, ou à Deus...É, ele disse ADEUS e eu entreguei à Deus.
Acho constrangedor ainda gostar de alguém que caminha como se minha página do livro nem exista.
Mas AINDA ASSIM, acho menos feio assumir tudo isso do que fingir que passou.
Porque...NÃO, NÃO PASSOU.
Mas vai passar. Eu sei que vai.

Não mais!

Ela disse "Não. Não mais!"
Mas ela mentiu pra si. E isso não se faz.
Ela continuou "É sério. Já deu".
Mas não era verdade, o sentimento não morreu.
Por alguns dias ela disfarçou e disse que era passado.
Mas não há disfarce que cubra um olhar apaixonado.
E todos os dias ela tentava se convencer de que ele tinha a feito de idiota, tinha brincado de herói, que ele não valia tudo aquilo que ela supunha...
Todos os dias ela discutia com ela mesma, tentando se convencer de que ele não era quem ela pensava.
Mas nada adiantava.
No fundo, ela ainda o buscava.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um conforto.

"Ok. Vamos sair." Coloquei uma roupa sem muito "porquê". Sabe quando você coloca uma roupa que te deixa bonita mas sem "porquê", sem motivo, sem querer...sei lá?! Mas apesar de não ter "porquê", tinha um "pra quem". E era um "quem" de muito tempo e que merecia meu melhor. Pois sempre estimulou meu melhor pra mim mesma (?).
Ele, um amigo antigo, me buscou em casa. Óbvio! Ele sabe que homem tem que buscar mulher!(essa é a regra, embora tenham exceções). Abriu a porta do carro. "Obrigada". Entrei. Abri a porta pra ele (do lado de dentro do carro)."Obrigado, meu bem". Apesar do "meu bem", somos só amigos. Nem um beijo, nenhuma nudez de corpo (só de alma). Amigos demais, amigos que carregam bons adjetivos, superlativos, apelidos. Não me importa se você acredita ou não. É assim que é.
Estávamos passando momentos semelhantes.
Ele contou de sua ex namorada. Eu despejei meu ex nele. Ele concluiu a ex dizendo: "ela não é como você". Eu ri e continuei contando detalhes de meu relacionamento tão lindo e tão breve. "Não, eu não devo gostar dele tanto assim. Amor? Será? Não, acho que não. Eu devo ter feito confusão aqui dentro, devo ter transferido um "amor" passado (não muito passado) pra ele. É, acho que foi isso."
"Não, meu bem. Você sabe que não. Foi de repente mas é verdadeiro. Você sabe disso. Eu sei disso, e provavelmente esse cara sabe disso (se ele não fizer como você e ficar negando o que sente)."
"Se ele sabe por que nega?"
"Porque, às vezes, ser amado é mais difícil do que amar. Ele mesmo te disse isso! Apesar de te amar, a ideia de ser amado de uma forma tão incrível lhe era surreal."
"Mas e agora? O que eu faço ou não faço? Apago tudo? Considero sendo mentira? Considero-o covarde? Considero-me estúpida?..."
Eu falava, falava, ele não entendia. Mas me aceitava e sempre estava ao meu lado. Vai amor, volta amor, ele está ali.Meu grande amigo. É uma pena eu não amá-lo. Ele me olhou e, lendo meus pensamentos, disse o mesmo "é uma pena não nos amarmos".
Mas não tem jeito. Tem gente que nasce pra gente amar com o "pra sempre" embutido, mas sem o "me joga na cama e faça o que quiser". Ele é assim. Eu sou assim pra ele.
Mas pelo menos a gente se tem. E isso já é bem confortante.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Por um pouco menos de covardia.

Há dias que quero falar, mas não sei por onde começar.
Penso em contar um história. Mas histórias são tão coletivas. E, no momento, me encontro tão particular.
Penso em descrever os personagens. Mas aí toda minha particularidade iria por água abaixo.
Talvez o contexto, falar sobre o contexto?! Hummm....me vejo fora de contexto 'no momento PRESENTE'.
Pra que tanta prolixidade? Pelo simples desejo de gritar mas sem ninguém perguntar "por que, quem ou AINDA?"

Caramba! Eu não sei "não falar". Pelo menos aqui no Dupla Delícia!♥ .
Amor, eu estou sentindo uma saudade horrível de você!!!!!! Existe a saudade que 'faz parte' (que todo mundo sente), e existe a saudade abusada que arranca de mim toda calma e lucidez. Sorte ou azar seu (ou meu) que essa saudade não me dá coragem.
Eu achei que tivesse passado. Mentira, não achei. Mas da última vez que nos falamos por telefone percebi que não passou (óbvio). Enquanto eu fingia calma e naturalidade, meu coração saltou pela boca e me engoliu. Depois de tanto esforço pra "não sentir", quando desliguei o telefone meu corpo tremia. E foi tão exaustivo segurar tanta emoção que sentei-me no chão, sem forças, e me derramei.
Eu não sei pedir pra você voltar, não sei falar essas coisas com você...então ao menos, por você e de você eu falo. Me sinto um pouco menos covarde assim.

sábado, 3 de setembro de 2011

Por que banalizaram tanto?



"Segundo um amigo, a paixão é proporcional à distância que a garota mora. Quanto mais longe, menor a paixão."
Li isso hoje e me entristeceu um bocado.
Aí outro comentou, "nãooo, quanto mais longe melhor".
É sério mesmo que vão discutir qual é o jeito mais fácil da paixão? É sério que querem que ela caiba numa agenda de endereços??? Nem aqui, nem ali. Paixão não tem endereço.
Sei que a frase se refere à paixão, mas prefiro estender ao amor.
Será que a frieza chegou a tal ponto de racionalizarmos um amor, uma paixão?
Será que o número de pessoas que abandonam um amor devido à distância é tão grande assim? E eu que sempre achei que esses (os "desertores") fossem minoria.
Não quero dar uma de eterna romântica que acredita em conto de fadas. Mas acredito que não é o amor quem tem que se adequar as coisas e sim as coisas ao amor.
Não entendo essa dificuldade toda que inventam em algo tão sublime como o amor. Não mesmo! Não estou dizendo que é a coisa mais simples do mundo, mas é uma das mais fortes(se não a MAIS forte).
Tanta gente querendo encontrar um amor e alguns encontram e abrem mão por...POR QUE MESMO? Por nada. Por capricho. Por vaidade. Por ignorância. Por não saberem lutar e não terem paciência de esperar, de suportar...Sinto muito, mas preciso confrontá-los! "O amor tudo suporta, tudo crê."
O mundo, a mídia, e infelizmente até a arte, tem deturpado a imagem desse sentimento tão grande e absurdo que é personificado em Jesus. Pregam um amor banal, egoísta, secundário...Acho que precisamos rever nossos conceitos, resgatar os valores...Porque do ponto que estamos, o próximo passo é muito dolorido. É a indiferença, a apatia...MORTE.
Morte da coisa mais linda que temos: a capacidade de sentir, de tocar o outro, de ser tocado.
O buraco é mais embaixo, minha gente....Sei que o 'Amor Perfeito lança fora o medo', e realmente, só ELE (Deus, aquele que é O AMOR) pra nos ensinar a amar de verdade, sem medo, sem reservas.
Resumindo, o mundo precisa de amor mesmo. Nós precisamos! Mas acima de tudo precisamos saber, conhecer QUEM é o AMOR, aí sim...saberemos amar. E lembre-se, o aprendizado é eterno, o que precisamos é de disposição pra aprender.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tinha que ter mais gente assim?




"Tinha que ter mais gente assim". Quando escuto essa frase parece que tudo estremece aqui dentro. Minha cabeça vai a mil procurando exemplo da pessoa que a disse.
Se algo nos incomoda, a responsabilidade passa a ser nossa.
Se você acha que as pessoas deveriam ser mais educadas, semeie isso. Seja. "Ah, mas ninguém é", alguém pode dizer. Ok, mas você é guiado por "ninguém"???
Você não tem autoridade sobre sua própria vida?
Reflita.
Certo dia eu estava no trânsito com meu pai e, como minha cabeça não para, fiquei observando aquele caos e ME observando. É incrível como o TRÂNSITO revela as pessoas, nos revela. Cheguei a uma conclusão para o trânsito e a vida (conclusão essa que já foi falada e vivida há mais de 2 mil anos). Minha conclusão? Mudemos a pergunta. Ao invés de nos perguntarmos "POR QUE EU?" (por que eu que tenho que ceder, eu que tenho que fazer...?), perguntemos "POR QUE NÃO EU?".
Essa pergunta simplifica o mandamento "amarás ao próximo como a ti mesmo". Colocar o próximo como prioridade não é vergonha, nem falta de amor próprio. É resultado de SABER AMAR (O amor que o Pai nos ensina. E não um amor egoísta, egocêntrico).

Acho que precisamos de MENOS JUSTIÇA PRÓPRIA, e mais iniciativa no AMAR.

Entrelinhas.



-Eu sei que você quer escrever. A gente se reencontrou na alma depois de um ano e você não narrou de forma fictícia. Nem UM comentário em lugar nenhum. Eu te conheço, em algum lugar você expressou.
-E quem foi que disse que escrevo VOCÊ? Não escrevo você! Escrevo EU.
-Eu sei, menina, não precisa se defender. Escreve tão bem "VOCÊ" que entre as frases eu me vejo. Não adianta, Flor, não cabe mais eu OU você. Desde que a gente se esbarrou não existe mais singular. Você pode até sair sozinha, viajar...sei lá...eu sei que você me carrega assim como eu te carrego. Mesmo de longe.
-É...eu dei tantas voltas pra assumir isso...É pra não te expor tanto, baby. Aí, você fica nas entrelinhas.
-Não faz mal. O que você escreve é arte e só de as entrelinhas estarem presentes me basta.
-Eu sei que toda mulher ficaria feliz de somente ouvir isso, mas...por que você resolveu falar a verdade depois de tanto tempo? E por que você ainda está tão longe?
-Você mesma me disse que eu sou a pessoa mais racional que você conhece. E justamente essa racionalidade toda me fez ver que eu estava sendo covarde, escondendo meus sentimentos (eu chamo de "controle QUASE total sobre os sentidos)...
-E agora, que você SE percebeu? Vai continuar tentando controlar seus "sentidos" ou vai se render ?