Dupla Delícia.

Dupla Delícia.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jane Collins

Jane Collins é uma grande escritora e conhecedora da alma humana.
Consegue dar nomes à quase tudo.
Traduz o que pensam.
Verbaliza o que é praticamente impossível.
Foi por isso que se tornou conhecida. As pessoas sentiam que falavam através dela.
Hoje ela tem 4 grandes obras publicadas. Dentre elas, 3 romances e 1 que não sei bem em qual categoria se encaixa.
E também tem uma página só dela no maior Jornal do País, onde escreve semanalmente o que tem vontade, seja conto, crônica, poesia, carta...

Dizem que para escrever bem o primeiro passo é saber ler e gostar de ler.
E isso é o que ela sempre fazia!
Aliás, fazia até demais.
Virou "desculpa" pra quando não queria enfrentar a vida.
Virou pretexto para fugir de emoções,dizia que já tinha lido histórias assim antes e elas nunca acabavam bem.

Realmente ela lia muito bem, tanto livros como pessoas.
Lia tanto que acabava se esquecendo de escrever sua própria história.

Seus livros estavam entre os mais vendidos!
Suas frases entre as mais citadas.
Mas sua vida não estava nem entre 'os mais' nem entre 'os menos'...Estava disfarçada.

De repente ela foi obrigada a ler seu próprio conto em voz alta.
Percebeu que suas análises passavam antes por seus olhos, sua mente...e tudo não passava de sua (exclusivamente sua) interpretação.


Ela escrevia sobre o amor, falava sobre o amor e até desejava, mas tinha medo dele.
Ela orientava todos a amarem sempre e sem receio, mas ela mesma...não cumpria tudo o que dizia.
Ela acreditava simmm no amor ...para os outros.
Pra ela, era algo praticamente de outro mundo.

Um dia desses ela percebeu que o tão temido sentimento estava querendo colocar as "asinhas pra fora".
E pressionada pela situação, pelo medo de ser enrolada mais uma vez, tratou logo de se afastar de vez.
Tentou se enganar dizendo que isso era uma atitude de coragem, mas no fundo sabia que estava sendo mais uma vez covarde.
"Mas melhor sofrer um pouco agora do que muito depois. Pois e se eu me apegar ainda mais e ele me deixar?"
Ela pensava como se a sentença de sofrer fosse uma certeza, só não sabia quando. Então, na dúvida sempre escolhia abortar qualquer sentimento que a tirasse do controle.
Uma vez ela ouviu "Sempre quem tem o controle da relação é quem sente menos."
Claro que isso era frase desses desalmados...mas não deixava de ser verdade.


No meio desse turbilhão pessoal, as pessoas a procuravam para ouvir as coisas de sempre. Ouvir as palavras que ela sempre falava, acreditava mas...Agora estava confusa com o próprio reflexo.

Ela não deixou de acreditar em momento algum, mas precisava viver aquilo que acreditava. E pra isso teria que enfrentar muitos fantasmas que a atormentavam.
Não era uma tarefa fácil. Ela sabia disso.
E o primeiro passo foi parar de escrever suas histórias por um tempo. Até que a sua própria história tenha passado da primeira página(pelo menos).

Seus leitores assíduos aguardam um livro, ou uma crônica que seja no jornal há dias.
Ninguém tem notícias dela.
Uns dizem que ela está trancada em sua casa num desses países frios da Europa, desiludida.Completamente desiludida.
Outros contam que ela decidiu viver o amor que tanto falava e se mudou lá pras 'bandas' da América Latina.
Outros ainda acham que, independente de qual alternativa acima esteja correta, ela não abandonaria seus leitores nem sua escrita. E esperam ansiosos por seu retorno.
Há ainda os que pensam que talvez 'Jane Collins' seja um pseudônimo. Sendo assim, ela sequer existiu.

Um comentário:

  1. Minha querida, amar não é simples...
    Se fosse não teria sido um "novo mandamento".

    Amar só é natural aos pequeninos... em todas as suas variações... desde os pequeninos em idade até os sociais... os mais baixo na pirâmide social.

    Me passa pela cabeça o amor de "Guma e Lívia" em os Capitães de Areias" de Jorge Amado...

    E não tem importância nenhuma se ela volta a escrever ou a publicar... nenhuma, visto o que ela já escreveu... ao artista à arte e suas dores... são os nossos "fardos", a cruz que nos cabe...

    Amar não é simples...

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